‘Petulante pra caralho’: Ministro da CGU irrita senadores em depoimento à CPI da Covid

'Se a petulância do depoente for do tamanho da competência, estamos muito bem servidos', disparou Rogério Carvalho (PT-SE)

Depoimento do ministro da CGU, Wagner Rosário, à CPI da Covid. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Depoimento do ministro da CGU, Wagner Rosário, à CPI da Covid. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

Política

O ministro da Controladoria-Geral da União, Wagner Rosário, negou à CPI da Covid ter cometido o crime de prevaricação ao ser informado de possíveis irregularidades praticadas pelo Ministério da Saúde na pandemia. O depoimento é marcado por críticas de senadores à postura de Rosário.

 

 

O bolsonarista entrou na mira da comissão após os senadores do grupo majoritário suspeitarem de que a CGU tinha informações sobre a atuação do empresário Marconny de Faria, apontado como lobista da Precisa Medicamentos, desde outubro de 2020.

Marconny disse à CPI na semana passada que a CGU participou de uma operação de busca e apreensão em sua casa. A informação irritou os senadores, em especial o presidente do colegiado, Omar Aziz (PSD-AM).

“Wagner Rosário é um prevaricador, tem de vir mesmo aqui. Ele tem de explicar a omissão dele em relação ao governo federal. Tem de vir aqui, não para jogar para a torcida, mas para jogar no nosso campo. O Wagner Rosário, que tinha acesso a essas mensagens, é um prevaricador, e isso tem de ir para o relatório”, disparou Aziz na ocasião.

Nesta terça, Rosário declarou que “não participa e nem participou de mandados de busca e apreensão, nem da análise desses materiais, devido ao cargo que ocupa atualmente, e nem sequer teve acesso a essas informações”.

O ministro também afirmou que não houve superfaturamento na compra da vacina Covaxin pelo governo de Jair Bolsonaro e que só tomou conhecimento de irregularidades na negociação por meio da imprensa.

“No final de junho, começaram a aparecer na mídia notícias sobre o envolvimento da Precisa Medicamentos em suspeitas de irregularidades no contrato da Covaxin. Devido a isso e graças à atenção dos servidores da CGU envolvidos na investigação, o MPF solicitou ao juízo da operação o compartilhamento das informações apartadas dos autos com o MPF do Distrito Federal”, argumentou.

Segundo Rosário, o superfaturamento no caso Covaxin não se configurou porque o contrato não foi executado e o governo não pagou pela vacina.

A postura do ministro no depoimento incomodou senadores. Tasso Jereissati (PSDB-CE), no momento em que presidia a sessão, afirmou que o bolsonarista tinha de “baixar a bola”.

Durante outra resposta de Rosário, construída por ironias, o senador Otto Alencar (PSD-BA) disse a Omar Aziz que o ministro é “muito petulante”. Aziz, em áudio vazado, emendou: “Petulante pra caralho”.

A reação de Aziz se deu após Rosário tecer comentários sobre a data em que a CGU solicitou o compartilhamento das informações obtidas pelo Ministério Público Federal do Distrito Federal sobre suspeitas de irregularidades no contrato da Covaxin.

“Não sei se o senhor já participou de alguma investigação, mas você não passa um scanner na hora da busca e apreensão e saem os dados aparecendo, não. Tem que ter análise, tem que levar tempo”, disse Wagner Rosário após ser questionado pelo presidente da CPI.

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) também reclamou do comportamento do ministro.

“Presidente, por favor. Se a petulância do depoente for do tamanho da competência, nós estamos muito bem servidos, porque é muito petulante”.

 

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