CPI: Marconny confirma amizade com Renan Bolsonaro e omite nome de senador que ‘destravaria’ compra de testes

O bacharel em Direito entrou na mira da comissão como possível lobista da Precisa Medicamentos, envolvida no escândalo da Covaxin

Foto: Pedro França/Agência Senado

Foto: Pedro França/Agência Senado

Política

O bacharel em Direito Marconny Albernaz de Faria negou nesta quarta-feira 15 à CPI da Covid ser um lobista da Precisa Medicamentos. Aos senadores, disse que não atuou em contato com instituições públicas para intermediar negócios da empresa. No depoimento, Marconny também confirmou sua relação de amizade com Jair Renan Bolsonaro, o filho ‘Zero Quatro’ do presidente da República.

 

 

Na terça-feira 14, a CPI ouviu o advogado e empresário Marcos Tolentino, indicado como sócio oculto da FIB Bank, empresa usada pela Precisa como fiadora do contrato do Ministério da Saúde para a compra da vacina indiana Covaxin, que entrou na mira da comissão devido a indícios de fraude.

“Ao contrário do que dizem por aí, se eu fosse um lobista, eu seria um péssimo lobista. Porque eu jamais fui capaz de transformar minhas relações sociais em contratos e resultados econômicos milionários, conforme falsamente divulgado pela imprensa”, declarou.

Questionado sobre suas relações com a família Bolsonaro, Marconny de Faria disse ser amigo de Jair Renan. Apesar dos laços de amizade, afirmou não manter qualquer tipo de negócio com o filho do presidente.

O senador Renan Calheiros, relator da CPI, perguntou a Faria sobre os serviços prestados por ele para a abertura de uma empresa do ‘Zero Quatro’.

“Ele queria criar uma empresa de influencer. E eu só apresentei ele a um colega tributarista que poderia auxiliá-lo na abertura dessa empresa”, respondeu.

Diálogos de WhatsApp enviados à comissão do Senado pelo Ministério Público Federal do Pará indicam que as tratativas para a criação da Bolsonaro Jr Eventos começaram em 17 de setembro do ano passado.

Na oitiva, Marconny de Faria confirmou ter comemorado seu último aniversário, em dezembro de 2020, em um camarote de Jair Renan no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília.

Em outro momento, o depoente disse não se lembrar de quem seria o senador que auxiliaria a ‘destravar’ a compra de testes rápidos de Covid-19 pelo Ministério da Saúde. As tratativas não foram adiante.

Faria virou alvo da CPI da Covid após os senadores obterem mensagens que sugerem a elaboração de um ‘guia’ para fraudar uma licitação para a compra dos testes. As ‘dicas’ foram enviadas a Ricardo Santana, ex-secretário da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e envolviam a “arquitetura ideal para o processo dos kits prosseguir”.

Em outra mensagem, Santana diz a Marconny que teria uma reunião no Ministério da Saúde a fim de “desatar um nó” e que trataria sobre 12 milhões de testes rápidos. Santana afirmou ainda que “meu amigo aqui estará às 8h com o senador”.

“Não sei quem é”, disse Marconny nesta quarta, ante diversos questionamentos sobre o nome do senador indicado nas mensagens. A postura irritou membros da CPI.

“É doido? É sério mesmo? O senhor tem relação com quantos senadores?”, perguntou o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM). “Nenhum”, respondeu o possível lobista.

Marconny tentou explicar os serviços de “assessoria política” prestados à Precisa, mas não convenceu os senadores.

“Politicamente e tecnicamente. Como naquela época a gente estava vivendo uma pandemia, um lockdown, eles precisavam de um parecer técnico de um cenário político, de viabilidade, dentro de uma situação para ver se tinha possibilidade de acontecer tal negócio”, disse.

“Eu fazia uma análise de estudo de viabilidade política e técnico-política. Como conheço o cenário de Brasília, eu conheço a política de Brasília”, acrescentou Marconny.

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