Política
PDT abre mão de vaga no Senado e tenta atrair Aécio Neves à chapa de Kalil em Minas
A expectativa entre interlocutores é que a candidatura do ex-governador à Casa Alta seja confirmada nos próximos dias
Três semanas depois de anunciar que ficaria fora das eleições de 2026, Aécio Neves (PSDB) voltou ao centro da disputa eleitoral em Minas Gerais. O deputado federal e presidente nacional do tucanato é pressionado por aliados a aceitar uma candidatura ao Senado na chapa de Alexandre Kalil (PDT).
Segundo dirigentes ouvidos por CartaCapital, Aécio já sinalizou a disposição de voltar atrás na decisão de se afastar do Congresso e pode tentar retornar ao Senado, onde ocupou mandato de 2011 a 2019. A expectativa entre interlocutores é que a candidatura seja confirmada nos próximos dias.
O movimento ganhou corpo depois que Marcelo Heringer (PDT), um dos candidatos da chapa de Kalil ao Senado, renunciou à disputa na quarta-feira 26, abrindo espaço para uma eventual entrada do tucano.
A legislação eleitoral permite a substituição de candidatos que renunciem até 20 dias antes da eleição. Como o primeiro turno está marcado para 4 de outubro, o prazo para uma eventual troca termina em 14 de setembro. A renúncia precisa ser homologada pela Justiça Eleitoral antes que a substituição seja efetivada.
Trata-se de uma operação costurada entre líderes do PDT e da federação PSDB-Cidadania em Minas. Em nota conjunta divulgada nesta quarta-feira, os partidos afirmaram ter recebido manifestações de prefeitos, vereadores, deputados e lideranças de diferentes regiões do estado para que Aécio reconsiderasse sua decisão.
“Esse movimento traduz uma preocupação legítima com o futuro de Minas”, diz o comunicado, que descreve o parlamentar como alguém com “experiência, articulação e força política em Brasília” para resolver “o problema da dívida” do estado.
O apelo também tem uma dimensão eleitoral. O PSDB já integra a chapa de Kalil: indicou o ex-deputado federal Carlos Mosconi para a vice e tinha, até aqui, Gustavo Galassi como postulante ao Senado. A entrada de Aécio reforçaria a presença tucana na aliança e levaria para a campanha um nome com trajetória política construída em todo o estado.
Questionado por jornalistas na manhã desta quinta-feira 27, Kalil já deu sinal verde à possível candidatura, afirmando ser “positivo” ter Aécio em sua chapa. A eventual entrada do deputado, porém, ainda exige uma definição sobre a composição da chapa ao Senado.
Também disputam o governo mineiro Mateus Simões (PSD), escolhido por Romeu Zema (Novo) para sucedê-lo, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), Patrus Ananias (PT) e o empresário Flávio Roscoe (PL).
A participação de Aécio neste pleito foi marcada por idas e vindas. Em maio, quando PSDB e Cidadania formalizaram o convite para que ele disputasse a Presidência, o tucano deixou a possibilidade em aberto e disse que avaliaria a viabilidade eleitoral da empreitada.
As sondagens, porém, não foram favoráveis. Aécio apareceu com cerca de 2% das intenções de voto e entre os candidatos mais rejeitados. Ao mesmo tempo, cenários para o Senado em Minas mostravam uma perspectiva mais competitiva, e a candidatura à Casa Alta passou a ser considerada mais factível por seus aliados, como mostrou CartaCapital.
No início deste mês, contudo, o tucano anunciou que não concorreria a nenhum cargo eletivo em 2026, interrompendo uma sequência de quatro décadas de candidaturas sob o argumento de que precisava se concentrar na “reorganização” do PSDB, que viveu uma série de reveses nas urnas nos últimos anos.
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