Pazuello negociou Coronavac com intermediários pelo triplo do preço, indica gravação

Nas tratativas com a World Brands, o então ministro se interessou por um negócio a US$ 28 por dose, diz jornal; com o Butantan, foram US$ 10

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

Política

Uma gravação em poder da CPI da Covid indica que o general Eduardo Pazuello, então ministro da Saúde, negociou fora da agenda com uma empresa intermediária a compra de 30 milhões de doses da vacina Coronavac, ao custo de 28 dólares por dose.

 

 

Dois meses antes da gravação, realizada em 11 de março deste ano, o governo federal anunciou a compra de 100 milhões de doses do imunizante, a 10 dólares por vacina. Neste caso, a negociação se deu diretamente com o Instituto Butantan, que produz a Coronavac no Brasil.

O vídeo e a proposta da empresa intermediária, chamada World Brands, foram obtidos pelo jornal Folha de S.Paulo. Pela oferta, metade do valor total da compra – cerca de 4,65 bilhões de reais, conforme a cotação do dólar à época – deveria ser depositada até dois dias depois da assinatura do contrato.

Em seu primeiro depoimento à CPI, em 19 de maio, Pazuello afirmou que não teria conduzido negociações com a Pfizer porque um ministro não deveria receber uma empresa.

“Pela simples razão de que eu sou o dirigente máximo, eu sou o ‘decisor’, eu não posso negociar com a empresa. Quem negocia com a empresa é o nível administrativo, não o ministro. Se o ministro… Jamais deve receber uma empresa, o senhor deveria saber disso”, disse Pazuello, na ocasião.

De acordo com o jornal, o encontro entre Pazuello e os representantes da World Brands foi marcado com o gabinete do então secretário-executivo da Saúde, o coronel Elcio Franco.

A despeito de Pazuello ter declarado no vídeo a assinatura de um memorando de entendimento para a compra, o negócio não foi finalizado. Ainda assim, o episódio tende a reforçar as suspeitas da CPI sobre o modus operandi do governo Bolsonaro nas tratativas por imunizantes.

Já estão na mira dos senadores a Covaxin, negociada por meio da Precisa Medicamentos, e a Sputnik V, sob a intermediação da União Química.

 

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