Política

Paralisação de servidores demonstrou ‘sucesso inicial’, diz líder sindical

Fábio Faiad diz que greve é último recurso, mas Paulo Guedes pode levá-los à radicalização: ‘A sociedade pode ter algum prejuízo’

Servidores se reuniram em Brasília em janeiro para protestar por reajuste salarial e outras pautas. Foto: Fonacate
Servidores se reuniram em Brasília em janeiro para protestar por reajuste salarial e outras pautas. Foto: Fonacate
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O presidente do Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central, Fábio Faiad, considera as mobilizações dos servidores públicos nesta terça-feira 18 um “sucesso inicial”, tendo em vista o período de férias e a pandemia. Em entrevista a CartaCapital, Faiad disse estimar cerca de 30 categorias presentes no ato em Brasília, pela manhã.

Os servidores chegaram a arremessar cédulas de dinheiro no prédio do Ministério da Economia como forma de protesto. Faiad critica o que chama de “estrangulamento” de salários e direitos dos trabalhadores, enquanto há aumento nos lucros de banqueiros e rentistas, além de promessas de reajuste salarial somente para as bases eleitorais do presidente Jair Bolsonaro, como os policiais federais.

“A chuva de dólares tinha um sentido, quando você tem um ministro da Economia que é rentista e guarda recursos em offshores em paraísos fiscais, como bem demonstrou o Pandora Papers“, declarou Faiad, no programa Direto da Redação, no canal de CartaCapital no YouTube. “A gente tem uma situação esdrúxula, de um ministro da Economia com claro conflito de interesses para exercer o cargo que ocupa e uma política econômica que pouco tem a ver com o desenvolvimento do Brasil, mas sim com o atendimento de alguns rentistas.”

Os servidores reivindicam reajuste de até 28% para repor perdas salariais com a alta da inflação. Segundo Faiad, algumas categorias não recebem acréscimo nas remunerações desde 2017. Além disso, os trabalhadores pedem reestruturação do plano de carreiras, uma medida que não exigiria aumento de gastos.

Em reação ao líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), que chamou o protesto dos servidores de “fraquinho” à agência Broadcast, Faiad disse a declaração foi tendenciosa.

“Ele iria falar o quê? Oh, estou com medo, a paralisação foi um sucesso? A gente sabia que ele não iria falar isso. Essa informação que ele traz desconsidera as paralisações virtuais em todo o Brasil. No Banco Central, por exemplo, metade da categoria parou”, afirmou. O quadro de funcionários do Banco é de 3,5 mil pessoas. “Só no nosso ato virtual tinha mil pessoas. Isso não é fraquinho, isso mostra uma indignação.”

A expectativa é de que os trabalhadores do Banco Central tenham uma nova reunião com o presidente da instituição, Roberto Campos Neto. Na semana passada, houve um encontro sem resultados positivos para a categoria. Se o governo não se dispuser a atender alguma reivindicação, o Sindicato indica deflagração de greve em fevereiro.

“O público que precisa do Banco Central pode ficar sem atendimento, a distribuição de dinheiro via meio circulante pelos caixas fortes das dez unidades do Banco Central pode ser prejudicada, a prestação de informações que o Banco faz para o sistema financeiro pode ficar prejudicada, alguns sistemas como o SCR e o Pix podem sofrer interrupção ou dificuldade na sua manutenção. Então, sim, a sociedade pode ter algum prejuízo“, disse Faiad. “Só em último caso a gente vai para a greve, mas parece que o Paulo Guedes insiste em levar as coisas para a radicalização.”

Também diretor do Fórum Nacional de Carreiras Típicas de Estado, o Fonacate, que reúne outras entidades, Faiad defende a procura de todos os candidatos das eleições presidenciais deste ano para apresentar uma lista de pautas do movimento de servidores, como a criação de uma mesa de diálogo permanente com o governo e a rejeição à reforma administrativa em tramitação no Congresso. Um encontro com Ciro Gomes (PDT) já foi realizado.

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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