Política

Para bolsonaristas que estiveram na Paulista, STF é inimigo maior que a esquerda

Pesquisa coordenada pelo professor Pablo Ortellado ouviu apoiadores do presidente durante os atos do dia 7 de setembro em São Paulo

O PRESIDENTE JAIR BOLSONARO, EM SÃO PAULO, NO 7 DE SETEMBRO. FOTO: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP
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Uma pesquisa coordenada pelo professor Pablo Ortellado, da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que bolsonaristas que estiveram nos atos do dia 7 de Setembro na Avenida Paulista acreditam que o Supremo Tribunal Federal é o principal inimigo do presidente Jair Bolsonaro. Segundo os apoiadores, a ameaça representada pelos ministros é bem maior do que a ameaça da esquerda.

Em dados concretos, o levantamento apontou que 59% dos bolsonaristas presentes acreditam que o tribunal é o inimigo número um do presidente. Apenas 17% apontaram a esquerda como a grande ameaça. Em terceiro lugar está a imprensa, indicada por 15% como a grande inimiga do ex-capitão.

O levantamento é um indicativo da forte adesão ao discurso feito pelo presidente nas manifestações, quando chamou Alexandre de Moraes de ‘canalha’ e afirmou que não cumprirá mais decisões do ministro.

A pesquisa também apurou o perfil de quem foi às ruas: 77% são de direita, 61% são homens, 60% brancos; 42% tem mais de 50 anos e a maioria se diz cristã – 37% católicos e 36% evangélicos. Na entrevista, 65% disseram se considerar muito conservador quando o assunto é família, drogas e punição a criminosos.

O levantamento ainda questionou se os bolsonaristas tivessem que eleger um único motivo para estarem nas ruas, qual seria ele. Ao todo, 29% dos entrevistados apontaram que seria o ‘impeachment dos ministros do STF’. Outros 28% disseram ‘lutar pela liberdade de expressão’ e 24% indicaram que estavam nas ruas para ‘autorizar o presidente a agir’.

Outras bandeiras do presidente também mostraram ter forte adesão entre seus apoiadores. É o caso, por exemplo, do voto impresso e da não obrigatoriedade do uso de máscaras. Nada menos do que 53% apontaram que são contrários ao uso do equipamento de proteção durante a pandemia e 13% indicaram o voto impresso como motivo principal para estarem nas ruas.

Os governadores foram indicados como grande inimigos do presidente por apenas 1%. Os decretos estaduais, no entanto, contam com grande rejeição. O lockdown, por exemplo, é rejeitado pela maioria esmagadora dos bolsonaristas, 87%, assim como o passaporte vacinal, reprovado por 84% dos entrevistados.

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