Política
Os articuladores da trégua: quem são os aliados que assumiram a missão de apaziguar o clã Bolsonaro
Governadora, senadora, dirigente partidário e coordenador da pré-campanha agiram em diferentes frentes para tentar encerrar a crise
A reconciliação pública entre Michelle Bolsonaro e Flávio Bolsonaro não foi resultado apenas de uma decisão dos dois. Nos bastidores, um grupo de aliados assumiu a missão de costurar um acordo capaz de encerrar uma crise que, por quase um mês, expôs divisões na família Bolsonaro e preocupou o PL. A articulação mobilizou diferentes lideranças do partido e aliados próximos da ex-primeira-dama e do pré-candidato à Presidência, em um esforço que durou semanas.
Segundo relatos de integrantes envolvidos nas negociações, quatro figuras tiveram papel central na operação: a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP); a senadora Damares Alves (Republicanos-DF); o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto; e o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da pré-campanha de Flávio. Cada um trabalhou em uma frente para aproximar os dois lados e construir uma saída para o impasse.
Celina Leão foi responsável por abrir o canal de diálogo com Michelle. Aliada da ex-primeira-dama, a governadora teria convencido Michelle a aceitar a estratégia de uma reconciliação pública e ajudado a definir o formato da manifestação. A interlocução também incluiu orientações sobre qual deveria ser o gesto inicial de Flávio para tornar o acordo viável. Fontes ouvidas por CartaCapital afirmam que Damares Alves participou intensamente das conversas e dividiu com Celina o papel de principal ponte junto à ex-primeira-dama.
O reconhecimento veio da própria Michelle, que agradeceu publicamente às duas por terem se empenhado “dia e noite” pela reconciliação.
Do lado de Flávio Bolsonaro, a principal atuação ficou a cargo de Valdemar Costa Neto. Segundo interlocutores, o presidente do PL trabalhou para convencer o senador de que um novo pedido público de desculpas era necessário para conter o desgaste. Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha, também participou das articulações ao lado do núcleo político do senador, em meio à avaliação de que a disputa interna comprometia a construção de alianças e dificultava a estratégia eleitoral do partido.
A movimentação ocorreu depois que a crise deixou de ser tratada apenas como um problema familiar e passou a ser vista como um obstáculo para a campanha presidencial. O rompimento começou após divergências sobre os palanques no Ceará e ganhou dimensão nacional quando Michelle divulgou vídeos acusando o enteado de desrespeitá-la. O episódio provocou desgaste no bolsonarismo, alimentou divisões entre aliados e coincidiu com dificuldades enfrentadas por Flávio para ampliar sua base de apoio e melhorar sua imagem no eleitorado feminino.
Como resultado da negociação, Flávio publicou um novo vídeo pedindo desculpas à madrasta. Horas depois, Michelle respondeu aceitando o pedido de desculpas e afirmando que os dois deveriam voltar a trabalhar juntos. A sequência das publicações foi previamente articulada pelos interlocutores envolvidos na negociação, segundo relatos de aliados dos dois lados.
Os próximos passos da articulação devem ocorrer após a convenção nacional do PL. Nos bastidores, aliados trabalham para consolidar definitivamente a reaproximação com uma conversa presencial entre Michelle e Flávio e avaliam a participação mais ativa da ex-primeira-dama na campanha presidencial. Também permanece em discussão a retomada de seu protagonismo no partido, enquanto o PL tenta transformar o fim da crise em um sinal de unidade para a disputa eleitoral.
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