Organizações realizam atos contra Bolsonaro em bairros das periferias

'Fora Bolsonaro nas Periferias' ocorre neste sábado 23, como tentativa de levar pauta do impeachment a regiões mais precarizadas

Campanha Fora Bolsonaro põe protestos na periferia em sua agenda oficial. Foto: Reprodução/CartaCapital

Campanha Fora Bolsonaro põe protestos na periferia em sua agenda oficial. Foto: Reprodução/CartaCapital

Política

Ao longo deste sábado 23, organizações políticas realizam atos contra o presidente Jair Bolsonaro em bairros de periferias em todo o país, em pelo menos 23 cidades. A iniciativa faz parte da agenda oficial da Campanha Fora Bolsonaro, que reúne diversas forças políticas e esteve à frente de seis protestos ao longo do ano, desde 29 de maio.

 

 

Os coordenadores dos atos, chamados de “Fora Bolsonaro nas Periferias”, compõem uma ala da Campanha Fora Bolsonaro que compreende organizações como os partidos UP e PCB, vertentes do PSOL como o Movimento Esquerda Socialista, o Movimento Esquerda Radical e a Corrente Socialista de Trabalhadores, as organizações Unidade Comunista Brasileira e Arma da Crítica, além de torcidas organizadas, grupos locais, entre outros.

Essa articulação nasceu antes do 29 de maio. Segundo integrantes, a ideia era pressionar as outras frentes para retomar os atos de rua contra Bolsonaro, até então suspensos por conta das medidas restritivas da pandemia.

Ao longo do ano, essas forças dirigiram trabalhos locais, ligadas sobretudo a ações solidárias como distribuição de cestas básicas. Os atos de sábado são os mais nacionalizados até agora, se colocado em questão o foco na periferia, segundo organizadores.

 

 

Esses esforços estão relacionados a um debate que CartaCapital já relatou em diferentes oportunidades, que trata de agendas supostamente distintas dentro do campo progressista.

Na compreensão de diversos atores e observadores ouvidos ao longo do ano, há setores que creem mais na derrota de Bolsonaro nas eleições de 2022 do que no impeachment e que veem os protestos como forma de desgastar o presidente até a disputa; entre os que ainda acreditam no impedimento, há aqueles que defendem maiores alianças com a direita liberal, para formar um bloco suficiente no Congresso que aprove a abertura do processo.

Vivian Mendes, presidente do diretório paulista do partido UP, diz que a estratégia política da Articulação Povo na Rua é crítica a essas duas táticas. A militante afirma que é preciso ter como objetivo a mobilização nos bairros que concentram as classes mais precarizadas e atingidas pela carestia.

“É preciso ampliar as forças políticas, mas dentro da classe trabalhadora”, avalia. “A gente precisa inviabilizar esse governo. Essa construção não deve ocorrer com a direita, porque ela não mobiliza. Deve ocorrer, sim, com as centrais sindicais, numa greve geral, e com as periferias.”

Maria Carolina de Oliveira, militante da União da Juventude Comunista e uma das diretoras da União Nacional dos Estudantes, diz compreender os argumentos sobre a ampliação dos atos à direita, mas observa que pode haver uma submissão das pautas a forças que apoiam políticas econômicas nocivas aos mais pobres.

“Não é só colocar mais pessoas na rua, mas garantir a radicalização da mobilização”, sublinha ela. “A grande questão é que, para falar de impeachment, não podemos deixar de falar de empregos dignos e da revogação de reformas como o teto de gastos, a reforma trabalhista e a reforma da Previdência.”

Conforme CartaCapital havia antecipado, a Campanha Fora Bolsonaro decidiu, na segunda-feira 18, somar a pauta do impeachment aos atos antirracistas de 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, cuja coordenação deve ter o protagonismo de entidades do movimento negro. Em uma nota sobre a reunião publicada na quarta-feira 20, a Campanha Fora Bolsonaro sinalizou ainda agendas para 28 de outubro, sobre mobilizações contra a reforma administrativa.

Para 15 de novembro, data em que partidos políticos pretendem puxar atos contra Bolsonaro, a Campanha demarcou que a agenda ainda deve ser confirmada. Relatos ouvidos pela reportagem apontaram receio de dedicar esforços para mobilizações em datas com apenas cinco dias de diferença.

A avaliação da Campanha Fora Bolsonaro sobre 2 de outubro foi positiva, com “crescente indignação do povo brasileiro”, embora analistas registrem dificuldades de aumento no público. A expectativa de agora é a aprovação do relatório final da CPI da Covid-19: o documento reforça que o país espera a votação “com ansiedade”.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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