Política

Obra de empresa ligada a ex-líder de Bolsonaro no Senado causa prejuízo de R$ 1,4 milhão, aponta CGU

A auditoria identificou irregularidades na espessura da pavimentação e superfaturamento; empresa responsável pela obra na cidade de Lagarto, no interior de Sergipe, é ligada ao senador Fernando Bezerra (MDB)

Obra de empresa ligada a ex-líder de Bolsonaro no Senado causa prejuízo de R$ 1,4 milhão, aponta CGU
Obra de empresa ligada a ex-líder de Bolsonaro no Senado causa prejuízo de R$ 1,4 milhão, aponta CGU
Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), ex-líder de Bolsonaro no Senado Federal. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
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Auditores da Controladoria-Geral da União constataram potencial prejuízo de 1,4 milhão de reais em obra de asfaltamento na cidade de Lagarto, no interior de Sergipe, realizada pela Liga Engenharia. Um dos sócios da empresa responsável pelo empreendimento é cunhado de um sobrinho de Fernando Bezerra (MDB), ex-líder do governo Jair Bolsonaro (PL) no Senado.

O contrato em questão foi assinado em 2020 pela Codevasf, estatal que cuida das obras hídricas no Nordeste, por 6,1 milhões de reais. O prejuízo apontado pela CGU, portanto, corresponde a quase 24% do valor total. As conclusões da área técnica da Controladoria foram reveladas pelo jornalista Fábio Serapião, colunista do Metrópoles, e confirmadas por CartaCapital.

Entre outras coisas, uma das irregularidades verificada foi a espessura da pavimentação, que em alguns pontos ficou abaixo do que foi estabelecido no projeto, o que teria resultado no suposto prejuízo. Outro ponto envolve a ausência de resultados de testes que comprovassem que a espessura do asfalto foi de acordo com o previsto no contrato.
“Portanto, houve falhas, por parte da Codevasf – 4ª SR, nos controles da execução do objeto contratado, tendo em vista a falta de comprovação de atendimento à especificação por meio de ensaios, em especial da espessura do capeamento asfáltico de 5,0 cm”, diz o relatório, que também aponta superfaturamento de mais de 460 mil reais em um contrato de transporte do material da obra.

Por meio de nota, a Codevasf disse atuar “em cooperação permanente com órgãos de fiscalização e controle” e informou que, depois da auditoria da CGU, notificou as empresas envolvidas no caso para manifestação.

Criada em 2012, a Liga Engenharia recebeu cerca de 74 milhões de reais de emendas do relator, pilares do orçamento secreto até o ano passado. Além da Codevasf, quem também direcionou as verbas para a empresa foi o Dnocs, autarquia federal responsável por obras contra a seca que também está na mira da Polícia Federal em inquéritos sobre irregularidades no envio de emendas parlamentares.

O auge dos repasses ocorreu em 2021, quando a Liga recebeu 33 milhões de reais. Ao todo, a maior parte do dinheiro destinado à empresa veio da Codevasf, que pagou 52,8 milhões, enquanto outros 21,9 milhões chegaram via Dnocs. Se consideradas todas as modalidades de emendas parlamentares, incluindo individuais e de bancada, o montante recebido se aproxima de 100 milhões.

Procurados por CartaCapital, Fernando Bezerra e a Liga Engenharia não se manifestaram sobre as irregularidades constatadas pela CGU.

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