Justiça
O silêncio dos EUA sobre Paulo Figueiredo, denunciado pela trama golpista
As tentativas de citar o blogueiro bolsonarista continuam a fracassar
O Ministério da Justiça informou ao ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, nesta sexta-feira 13, que as autoridades norte-americanas ainda não enviaram qualquer resposta à tentativa brasileira de notificar o blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, denunciado pela Procuradoria-Geral da República por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.
Diante do impasse, a pasta, por meio da Coordenação-Geral de Cooperação Jurídica Internacional em Matéria Penal, reforçou o pedido por informações a respeito do andamento do caso.
O blogueiro, neto do ditador João Figueiredo, vive nos Estados Unidos. Em fevereiro de 2025, Moraes determinou a notificação por edital, mas não houve resposta com a apresentação de defesa prévia.
Em abril, o ministro mandou intimar a Defensoria Pública da União, mas o órgão não enviou a manifestação. Moraes reiterou a ordem em junho, mas a DPU recorreu contra a decisão que considerava Figueiredo notificado sobre a denúncia.
Posteriormente, a DPU encaminhou a resposta prévia, na qual reivindicou a rejeição da denúncia e solicitou a expedição de uma carta rogatória para notificar o acusado nos Estados Unidos. Moraes ordenou, em 22 de outubro, a expedição da carta, para apresentação da defesa em até 15 dias — o que, mais uma vez, não ocorreu.
A carta rogatória é um instrumento para solicitar cooperação jurídica internacional, a fim de que outro país cumpra uma determinada diligência do processo, como a citação de uma parte que mora no exterior.
O Ministério da Justiça informou nesta sexta-feira o fracasso das tentativas já realizadas. “Considerando que, até a presente data, não houve manifestação das autoridades norte-americanas em resposta ao ofício encaminhado em novembro de 2025, informamos que solicitamos novamente às autoridades estrangeiras informações sobre o andamento do pedido e, assim que houver atualizações, as enviaremos prontamente.”
A denúncia da PGR sustenta que o influenciador agia como um dos responsáveis pelas operações de desinformação na organização criminosa que tentou aplicar o golpe de Estado. O objetivo era manter Jair Bolsonaro (PL) no poder mesmo após a derrota nas urnas em 2022.
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