Política
Voto das mulheres: o que indicam as pesquisas sobre o desempenho de Lula e Flávio Bolsonaro
Os números justificam a ‘operação abafa’ do pré-candidato do PL diante das consequências dos vídeos de Michelle Bolsonaro e do machismo de Paulo Figueiredo
A preocupação de Flávio Bolsonaro (PL) com a insurreição de Michelle Bolsonaro e o impacto das recentes declarações machistas de seu aliado Paulo Figueiredo resulta de uma conclusão óbvia e objetiva: avançar no eleitorado feminino é fundamental para vencer a eleição presidencial.
As mulheres — que, segundo Figueiredo, “votam muito mal” — já representam 52,8% do eleitorado total. Há 24 anos, quando Lula (PT) conquistou seu primeiro mandato, eram 50,08%. De acordo com a maioria dos levantamentos, o petista mantém uma vantagem confortável sobre Flávio neste segumento
A mais recente rodada Nexus/BTG Pactual, divulgada na segunda-feira 29, mostra o presidente com 48% das intenções de voto entre elas, enquanto Flávio marca 29%. Entre os homens, o senador lidera por 40% a 35%. No geral, porém, a dianteira está com Lula: 42% a 34%.
O mais recente levantamento Datafolha, publicado em 20 de julho, reforça essa tendência: entre mulheres, Lula marca 44% e Flávio, 26%. No universo masculino, empate: 37% a 37%. Com isso, o presidente triunfaria por 41% a 31%.
Quatro dias antes, uma sondagem CNT/MDA indicava Lula 18 pontos à frente de Flávio entre mulheres — 43% a 25% — e oito pontos entre os homens — 40% a 32%. No geral, o placar era favorável ao presidente em 42% a 28%.
A pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quarta-feira 1º, por sua vez, destoa das demais: Lula registra 43,7% entre as mulheres, contra 43,5% de Flávio. Ou seja, há empate técnico. No recorte masculino, por outro lado, o petista dispara e surge 20 pontos à frente do senador: 49,2% a 29,1%.
Chefe de Risco Político e Análise Política do AtlasIntel, Yuri Sanches afirmou a CartaCapital analisar com cautela os resultados de cruzamentos demográficos, uma vez que a margem de erro para os dados desses subgrupos é superior à dos resultados gerais. Mas destaca que Flávio atravessa um momento de fragilidade desde a revelação de suas conversas com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, sobre repasses milionários para supostamente financiar o filme Dark Horse. Segundo o analista, Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) ainda não capitalizaram a oportunidade, mas há um crescimento de Renan Santos (Missão). “O melhor diálogo dele [Renan] é justamente com o eleitorado masculino, especialmente o eleitorado masculino mais jovem.”
Diante dos números, a pré-campanha de Lula enxerga um novo flanco para tentar desgastar Flávio, após o baque da operação da Polícia Federal no Caso Master contra o senador Jaques Wagner (PT-BA), então líder do governo. A ex-primeira-dama Janja da Silva, por exemplo, disse nesta quarta-feira lamentar os ataques de Paulo Figueiredo, sem citá-lo diretamente.
“Deixo o meu repúdio a essa pessoa, porque somos maioria da população e sabemos muito bem conduzir uma nação ao seu pleno desenvolvimento, andando lado a lado com os companheiros homens, para que este Brasil finalmente chegue ao seu lugar”, declarou Janja na 1ª Conferência Nacional de Desenvolvimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
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