Política

Lula descarta ‘abandonar’ Wagner após crise do Master e deve dividir palanque com o senador na Bahia

Aliado de longa data do presidente, o ex-governador da Bahia virou alvo da PF e passou a ser pressionado a se afastar do governo

Lula descarta ‘abandonar’ Wagner após crise do Master e deve dividir palanque com o senador na Bahia
Lula descarta ‘abandonar’ Wagner após crise do Master e deve dividir palanque com o senador na Bahia
O presidente Lula (PT) e o senador Jaques Wagner (PT-BA). Alessandro Dantas/PT-SF
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Apesar da pressão de setores do PT para se afastar completamente do ex-líder do governo no Senado, Jaques Wagner (BA), o presidente Lula tem calibrado a dose de apoio ao ex-governador baiano: evita declarações públicas que poderiam inflamar a oposição bolsonarista, mas, por outro lado, descartou fugir de aparições públicas ao lado do senador.

Nesta quarta-feira 1º, o presidente visita o canteiro de obras da ponte que irá ligar Salvador à Ilha de Itaparica, em Vera Cruz (BA). A obra, que terá um custo estimado de mais de 10 bilhões de reais, é uma antiga promessa do governo baiano e é o primeiro evento público do presidente com Jaques Wagner desde a eclosão do caso Master. Os dois chegaram a se reunir a portas fechadas na última semana, mas evitaram aparecer juntos.

O senador foi alvo no último dia 18 de mandados de busca e apreensão por suspeita no âmbito da investigação sobre as fraudes do banco de Daniel Vorcaro. A princípio, negou que deixaria o comando do governo na Casa Alta, mas não resistiu à pressão e fez uma discreta saída.

Apesar de ter deixado o comando do governo para evitar “virar vidraça” e arrastar a campanha presidencial junto com o escândalo, a principal avaliação é que Wagner é importante demais para o petismo — e para Lula pessoalmente — para ser “abandonado” por causa da crise do Master.

Outro ponto levantado por auxiliares de Lula é que não é possível “fingir” que o presidente não é próximo do senador. Os dois cultivam décadas de amizade e de atuação política conjunta, então não seria factível uma tentativa de descolar a imagem dos dois.

Tanto na Bahia quanto em Brasília, fontes ouvidas por CartaCapital apontam que Lula deve evitar citar o caso Master ou defender enfaticamente os aliados com conexões com Vorcaro, mas vai continuar contando com Wagner para a composição do palanque na Bahia.

O estado é o quarto maior colégio eleitoral do País e é crucial para a disputa de outubro. Em 2022, os baianos deram mais de 6 milhões de votos para Lula no segundo turno — um triunfo de 72%.

Apesar da avaliação de que a crise Wagner-Master está sob controle, o Planalto ainda acompanha com atenção os novos desdobramentos das investigações contra o banco de Vorcaro.

Outra questão sensível que tem sido monitorada com lupa é Rui Costa, ex-ministro da Casa Civil e também candidato do PT da Bahia ao Senado. A Polícia Federal revelou que Vorcaro avaliava que, além de Wagner, Rui Costa também faria parte de uma “ala” do governo favorável à operação do banco Master com o Banco de Brasília (BRB)

Além disso, quando era governador, o petista baixou um decreto dificultando a portabilidade de operações realizadas pelo Master via CredCesta para outros bancos. Até aqui, o ex-governador não foi alvo de nenhuma visita da PF e nega qualquer irregularidade.

O que pesa a favor

Além de ter sido fundador do PT e governador da Bahia por dois mandatos, um dos principais trunfos de Wagner é ter conseguido manter a hegemonia petista na Bahia, elegendo seu sucessor, Rui Costa, em um momento em que o partido se esfacelava nacionalmente.

Líder nas pesquisas para uma reeleição no Senado, Wagner é essencial para manter a coalizão do grupo político. Além de Rui e Jerônimo, o senador tem entre seus principais aliados no estado o presidente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, Otto Alencar.

Otto, apesar de pertencer ao PDT de Ronaldo Caiado, já deixou claro que as rédeas estaduais estão nas suas mãos e seguirá apoiando Lula e Wagner em outubro. O senador chegou a ser cotado para comandar o governo na Casa Alta, mas sua posição como presidente da CCJ inviabilizou a manobra.

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