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O inferno são os outros

Os brasileiros reconhecem que a sociedade é racista, mas são incapazes de admitir o próprio preconceito

Para 79% dos entrevistados, as abordagens policiais são baseadas na cor da pele, no tipo de cabelo e vestimenta – Imagem: Prefeitura de Cajamar/GOVSP
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O Brasil é um país racista. O diagnóstico é confirmado por 81% dos entrevistados em um estudo inédito sobre a percepção do racismo no País. Os pesquisadores do Ipec consultaram, em abril, 2 mil brasileiros com mais de 16 anos em 127 municípios das cinco regiões, amostra semelhante à de pesquisas eleitorais de abrangência nacional. Ao se olhar no espelho, porém, poucos reconhecem o próprio preconceito. Somente 11% admitiram ter práticas discriminatórias, 12% identificaram familiares racistas e 36% disseram conviver com pessoas que têm comportamentos preconceituosos.

O resultado não surpreende os especialistas, é um clássico em estudos do gênero. “O lado positivo é que mais brasileiros conseguem enxergar a existência do racismo, por mais que tenham dificuldade de se olhar no espelho. Uma minoria ainda acredita na falácia da democracia racial”, observa Márcio Black, coordenador de projetos do Instituto de Referência Negra Peregum, uma das entidades que conceberam a pesquisa e encomendaram o trabalho de campo ao Ipec. Outro parceiro é o Projeto Seta, dedicado à promoção de uma educação antirracista no Brasil.

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