Política
O cardápio do jantar de Lula, Motta e líderes partidários
A confraternização na Granja do Torto marca uma tentativa de reaproximação entre Executivo e Câmara, com foco em pautas de forte apelo popular
Em meio à retomada dos trabalhos do Congresso Nacional e a um calendário legislativo encurtado pelas eleições de outubro, o presidente Lula (PT) recebe na noite desta quarta-feira 4 o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e líderes partidários para um jantar na Granja do Torto, em Brasília.
O encontro, articulado pela ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, ocorre após um ano de tensões entre o Executivo e o Legislativo e busca reorganizar a base de apoio do governo na Câmara.
O jantar tem caráter “informal”, mas acontece em um momento estratégico para o Palácio do Planalto, que tenta viabilizar a tramitação de propostas prioritárias do ponto de vista político e eleitoral. Um segundo encontro, com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e líderes da Casa, foi adiado para depois do Carnaval devido à baixa presença de senadores em Brasília nesta semana.
O que está no cardápio
As discussões devem girar em torno de projetos que o governo pretende impulsionar ainda no primeiro semestre. Entre eles está o fim da escala de trabalho 6×1, tema que ganhou centralidade na agenda de Lula e que chegará ao Congresso com um projeto próprio do Executivo após o Carnaval. A expectativa do governo é avançar na proposta sem redução salarial, explorando o apelo junto a trabalhadores formais.
Outro ponto sensível é a regulamentação do trabalho por aplicativos de transporte e entrega. Um grupo de trabalho coordenado pela Secretaria-Geral da Presidência, de Guilherme Boulos, elabora sugestões para melhorar a vida destes trabalhadores. Apesar do apoio declarado de Hugo Motta para discutir o tema, congressistas avaliam que a matéria pode enfrentar resistência e não avançar rapidamente.
Também devem entrar nas conversas temas considerados delicados para a relação entre os Poderes. Entre eles está a votação dos vetos presidenciais ao PL da Dosimetria, que reduz as penas dos golpistas de 8 de Janeiro. A oposição articula a derrubada do veto de Lula.
Além disso, o governo pretende manter no radar a PEC da Segurança Pública, que enfrenta críticas de governadores por possível interferência nas competências dos estados, mas é tratada pelo Executivo como peça central no combate à violência e às organizações criminosas.
Articulação política
O jantar também funciona como um gesto para azeitar a relação com a Câmara após episódios de desgaste ao longo de 2025. Em ano eleitoral, Lula busca reduzir conflitos, garantir previsibilidade na pauta legislativa e consolidar apoio mínimo para propostas que possam render discurso político durante a campanha pela reeleição.
No Senado, a articulação seguirá em paralelo. O governo conta com Alcolumbre para destravar a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal — a sabatina foi adiada no fim do ano passado. Esse tema, no entanto, ficará para o próximo encontro, após o Carnaval.
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