Política

Não terei problema em fazer chapa com o Alckmin para ganhar, diz Lula

A possibilidade, no entanto, ainda seria apenas uma espécie de ‘boato’, afirma o petista, já que ele ainda não seria oficialmente candidato e o ex-tucano não escolheu seu novo partido

Foto: Reprodução
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) garantiu nesta quarta-feira 19 que não terá ‘nenhum problema’ em ter o ex-governador Geraldo Alckmin em uma chapa para ‘ganhar as eleições’ em outubro de 2022. O novo aceno ao ex-adversário foi dado em entrevista coletiva a sites e blogs progressistas em Brasília.

A possibilidade, no entanto, ainda seria apenas uma espécie de ‘boato’, garantiu o petista, já que ele ainda não seria oficialmente candidato e o ex-tucano não escolheu seu novo partido.

“Eu não terei nenhum problema se tiver que fazer uma chapa com o Alckmin para ganhar as eleições e para governar o país”, respondeu Lula quando questionado sobre a possibilidade.

Quem o questionou sobre a aproximação foi a jornalista Laura Capriglione, do Jornalistas Livres, que listou uma série de ações de Alckmin enquanto foi governador de São Paulo. A repórter relembrou, por exemplo, o massacre promovido pelo tucano contra professores e contra os estudantes secundaristas.

Sobre os episódios envolvendo Alckmin, Lula minimizou e afirmou que nunca teve problemas com ele ou José Serra quando ocuparam o Palácio dos Bandeirantes.

“Eu sinto que você construiu uma quantidade de defeitos para poder falar do Alckmin”, disse antes de voltar a afirmar que não é oficialmente candidato e que, portanto, não pode falar em vice, assim como Alckmin não escolheu seu partido e que essa sigla precisa também estar disposta a se aliar ao PT.

As conversas para filiação de Alckmin, por enquanto, estão mais adiantadas com o PSB. Há, no entanto, ao menos dois partidos que correm por fora: Solidariedade e PV. Uma decisão é esperada para meados de março.

No decorrer da entrevista, Lula voltou a ser questionado sobre os ‘perigos’ de ter um histórico adversário como vice. Jornalistas insistiram sobre tema alegando que, ainda que não seja Alckmin o escolhido, ao que tudo indica, o perfil será similar ao do ex-tucano. Sobre o tema, Lula então respondeu:

“Eu não estou procurando uma aliança ideológica, uma aliança apenas para ganhar as eleições. Estou procurando um conjunto de alianças de forças políticas para ajudar a fazer as transformações que precisamos fazer no Brasil, inclusive a reforma tributária”, destacou, relembrando em diversos momentos sua aliança de sucesso com o empresário José de Alencar, em 2002.

Ainda sobre a sua aproximação com Alckmin e a resistência que a aliança dentro do próprio partido, onde lideranças organizam um abaixo-assinado contra a possível chapa, Lula minimizou o desgaste: “O PT é um partido político e no PT as pessoas têm o direito de divergir até que o PT decida”, afirmou, garantindo que, se tomada a decisão, as resistências deixarão de existir e todos estarão sintonizados com a chapa formada.

Sem guru econômico

O ex-presidente também disse que, para além do vice, vem sendo cobrado por diversos setores a apresentar um ‘guru econômico’, assim como fazem outros candidatos na disputa. Segundo disse, no entanto, a escolha só acontecerá mais próximo das eleições.

Questionado ainda se poderia assumir o compromisso em formar uma equipe paritária, incluindo mais mulheres e negros, Lula voltou a dizer que é cedo para falar em números ou cotas, mas disse que, sem dúvidas, seu governo terá isso como norte.

Forças Armadas

Lula fez ainda um aceno às Forças Armadas. Disse que teve uma boa relação e de investimentos em seu governo, e que “não é possível balizar as Forças Armadas pelas pessoas que estão no governo hoje”, em alusão à aliança de militares com o presidente Bolsonaro.

“Essa gente não representa as Forças Armadas. Estou convencido que há um grupo de aproveitadores hoje. O [ex-ministro da Saúde Eduardo] Pazuello jamais poderia ser um general com a grosseria que ele tem, com a formação, com a ignorância que ele tem. Um homem como aquele não pode chegar a general. Um homem que pensou em ir à CPI de farda para ser mais respeitado. Não é a farda que mostra caráter. É a formação, o interesse de defender a soberania nacional.

 

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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