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‘Não tenho tempo para politicagem barata’, diz Rui Costa após Bolsonaro usar enchentes para atacar distanciamento social
‘Também tivemos uma catástrofe em 2020, quando muitos governadores – e o pessoal da Bahia – fecharam todo o comércio’, declarou o ex-capitão
O governador da Bahia, Rui Costa (PT), repudiou a decisão do presidente Jair Bolsonaro (PL) de usar as enchentes no sul da Bahia para atacar medidas de distanciamento social adotadas pelos estados para conter a Covid-19.
“Não tenho tempo para politicagem barata”, disse o petista a jornalistas neste domingo 12. “O momento é de solidariedade, de arregaçar as mangas e de trabalhar.”
Em Porto Seguro (BA), para onde viajou neste domingo, Bolsonaro foi questionado sobre como o governo ajudaria as famílias que perderam suas casas e seus negócios. Resolveu, então, recorrer a um de seus expedientes prediletos.
“Também tivemos uma catástrofe no ano passado, quando muitos governadores – e o pessoal da Bahia – fecharam todo o comércio e obrigaram o povo a ficar em casa. Povo, em grande parte [trabalhadores] informais, condenados a morrer de fome”, afirmou, em entrevista. Ele ainda disse que o governo “é sensível a esse problema”.
O Ministério do Desenvolvimento Regional anunciou a liberação de 5,8 milhões de reais para municípios atingidos pelas fortes chuvas no sul da Bahia. O montante chegará às cidades de Eunápolis, Itamarajuru, Jucuruçu, Ibicuí, Ruy Barbosa, Itaberaba e Maragogipe.
Segundo comunicado do Corpo de Bombeiros da Bahia, os temporais já afetaram quase 70 mil pessoas e deixaram cerca de 3,7 mil desabrigados. São 20 cidades em situação de emergência e 7 em avaliação, de acordo com a corporação. Um levantamento da Superintendência de Proteção e Defesa Civil da Bahia, porém, lista 30 municípios em situação de emergência.
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