Na ONU, Bolsonaro nega crise na Amazônia e ataca a França e a mídia

Presidente também faz críticas ao socialismo, exalta Sergio Moro e diz que 'ideologia invadiu lares para investir contra família'

Bolsonaro na ONU (Foto: Johannes EISELE/AFP)

Bolsonaro na ONU (Foto: Johannes EISELE/AFP)

Política

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) atacou o presidente francês Emmanuel Macron e defendeu a soberania do Brasil na Amazônia, durante discurso de abertura na 74ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo o presidente, “ataques sensacionalistas da mídia internacional” promoveram “falácias” sobre a crise ambiental na floresta.

Ao citar a França e demais países europeus, Bolsonaro afirmou que líderes internacionais se portaram “de forma desrespeitosa e com espírito colonialista”, e que questionaram “aquilo que é mais sagrado: a nossa soberania”. “Ousaram sugerir aplicar sanções ao Brasil, sem sequer nos ouvirem”, disse o presidente. Bolsonaro afirmou ainda que 61% da floresta é preservada, e acusou a Europa de não apresentarem dados semelhantes de conservação.

O presidente usou boa parte do discurso para ler uma carta de indígenas e exaltou a presença da índigena Ysani Kalapalo, que acompanhou a comitiva do Palácio do Planalto na Assembleia. Bolsonaro atacou o cacique Raoni, postulante ao prêmio Nobel da Paz, afirmando que o líder não detém o monopólio sobre os indígenas no Brasil.

Também fez parte do discurso uma série de ataques a países de orientação socialista, principalmente, Cuba e Venezuela. Já no início da fala, acusou Cuba de promover uma ação unilateral ao retirar do Brasil médicos cubanos do programa Mais Médicos. “Deste modo, nosso país deixou de contribuir com a ditadura cubana, não mais enviando 300 milhões de dólares todos os anos”, afirmou. A delegação de Cuba se retirou da Assembleia.

O governo venezuelano também foi alvo claro de Bolsonaro. “A Venezuela, outrora um país pujante e democrático, hoje experimenta a crueldade do socialismo. O socialismo está dando certo na Venezuela: todos estão pobres e sem liberdade”, disparou. Em outra fração do discurso, o presidente se referiu a governos petistas, ao dizer que “presidentes socialistas” que o antecederam teriam comprado parte da mídia e do parlamento.

No ensejo, Bolsonaro aproveitou para exaltar políticas de combate à corrupção e criminalidade e exaltou o ministro da Justiça, Sergio Moro, chamando-o de “símbolo do país”. O presidente afirmou que, nos seis primeiros meses de seu governo, o Brasil reduziu em 20% o índice de homicídios, que, segundo ele, chegavam a 70 mil por ano no início de sua gestão. “O Brasil está mais seguro e mais hospitaleiro”, disse, ao convidar os países para visitarem o país.

A religião também ocupou parcela de sua fala. Bolsonaro defendeu o combate à intolerância religiosa e citou vítimas de perseguição em igrejas, sinagogas e mesquitas. “O Brasil condena todos esses atos e está pronto a colaborar para a proteção daqueles que se veem oprimidos por causa de sua fé”, declarou.

Ao fim, Bolsonaro acusou gestões anteriores de promoverem “sistemas ideológicos de pensamento” que recusavam, segundo ele, a “racionalidade”.

“A ideologia se instalou no terreno da cultura, da educação e da mídia. A ideologia invadiu nossos lares para investir contra a célula mater de qualquer sociedade saudável: a família. O politicamente correto passou a dominar o debate público para expulsar a racionalidade e substituí-la pela manipulação, pela repetição de clichês e pelas palavras de ordem. A ideologia invadiu a própria alma humana para expulsar Deus e a dignidade que ele nos revestiu”, discursou.

O presidente viajou a Nova York na segunda-feira 23 e deve retornar ao Brasil na quarta-feira 25. Na segunda, a participação formal do Brasil foi rejeitada na reunião da Cúpula do Clima, que conta com representantes de 60 países e debate iniciativas para conter danos ao meio ambiente.

Acompanharam Bolsonaro o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP).

 

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Repórter do site de CartaCapital

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