Cultura

Museu Nacional recebeu 3.900 vezes menos em doações que Notre-Dame

Sete meses depois, associação que coordena a restauração do imóvel recebeu apenas 965 mil reais

Sete meses depois do incêndio que consumiu grande parte do acervo, o Museu Nacional ainda sonha com um efeito Notre-Dame. A Associação Amigos do Museu Nacional, que coordena a restauração do imóvel, recebeu até agora apenas 965 mil reais.

A maior doação veio do governo alemão, que enviou ao país cerca de 190 mil euros (cerca de 808 mil reais). Em segundo lugar, ficam as doações de pessoas físicas, que somaram até agora 142 mil reais. Empresas brasileiras apenas 15 mil reais.

Na tarde desta quarta-feira, as doações para a reconstrução da catedral parisiense já ultrapassavam os € 850 milhões — ou 3,74 bilhões de reais. Esse valor é 3875 vezes maior que o total recebido pelo Museu Nacional até agora.

A carbonização do Museu Nacional desponta como um emblema do que a regressão neoliberal representa

A família Pinault — dona de marcas como Gucci, Saint Laurent e Balenciaga — prometeu 100 milhões de euros, seguida pelo grupo LVM, da Louis Vuitton, e pela família Arnault que anunciou uma doação de 200 milhões. Depois a família Bettencourt-Meyers e o grupo L’Oréal doarão 200 milhões.

Há ainda uma brasileira entre os mecenas de Notre-Dame. Segundo informações do portal Glamurama, Lily Safra enviou ao museu um cheque de 20 milhões de euros, o equivalente a 88 milhões de reais.

A viúva do banqueiro Joseph Safra tem uma fortuna estimada em 5 bilhões de reais, e é uma mecenas ilustre da cidade luz. Ela e o marido batizam uma sala no Museu do Louvre, composta de objetos do século XVIII doados por eles. Ao Museu Nacional, porém, não consta nenhuma doação em nome da família.

Franceses criticam “golpe de marketing”

Diversos partidos de esquerda denunciaram o “golpe de marketing” dos magnatas que anunciam doações a Notre-Dame. Para alguns, trata-se de autopromoção dessas empresas, que trocam a benfeitoria por impostos. Na França, uma lei similar à Rouanet dá a empresas que investem em cultura deduções de até 60% de seus gastos em prol do mecenato (para pessoas físicas, a redução é de 66% do imposto de renda).

 

O primeiro secretário do Partido Socialista (PS), Olivier Faure, saudou “uma formidável mobilização para a Notre-Dame de Paris”. “Mas eu gostaria que houvesse uma mobilização equivalente para esses milhões de mulheres, homens, crianças, famílias que são todas uma catedral humana que também deve ser protegida”, disse.

Uma piada que circula nas redes sociais ilustra o caso: “Victor Hugo agradece todos os generosos doadores prontos a salvar Notre-Dame de Paris e propõe que façam o mesmo com Os Miseráveis”.

frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen>

* com informações da RFI

Assine nossa newsletter

Receba conteúdos exclusivos direto na sua caixa de entrada.

Um minuto, por favor...

Obrigado por ter chegado até aqui. Combater a desinformação, as mentiras e os ataques às instituições custa tempo e dinheiro. Nós, da CartaCapital, temos o compromisso diário de levar até os leitores um jornalismo crítico, alicerçado em dados e fonte confiáveis. Acreditamos que este seja o melhor antídoto contra as fake news e o extremismo que ameaçam a liberdade e a democracia.

Se você acredita no nosso trabalho, junte-se a nós. Apoie, da maneira que puder. Ou assine e tenha acesso ao conteúdo integral de CartaCapital!