Justiça

MP denuncia Ciro Gomes por violência política de gênero contra senadora do PT

Documento menciona ao menos três ocasiões nas quais o pedetista ofendeu a parlamentar

MP denuncia Ciro Gomes por violência política de gênero contra senadora do PT
MP denuncia Ciro Gomes por violência política de gênero contra senadora do PT
Sabatina de Ciro Gomes nos Diálogos UNECS - Crédito César Tadeu
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O Ministério Público do Ceará denunciou o ex-governador do Ceará Ciro Gomes (PDT) por violência política de gênero contra a senadora petista Janaína Farias, a quem chamou de “assessora para assuntos de cama” do ministro da Educação, Camilo Santana (PT).

A denúncia foi encaminhada pela procuradora Sandra Viana Pinheiro à Justiça Eleitoral no início de maio. O documento menciona ao menos três ocasiões nas quais o pedetista ofendeu a parlamentar. No mais recente episódio, o político disse que Farias não tinha competência para exercer mandato no Senado e afirmou que ela era uma “cortesã”.

dicionário Michaelis traz três definições para o termo: “dama da corte, geralmente a favorita do rei, que vivia de sua generosidade”, “mulher de comportamento devasso e de vida de luxo” e “prostituta refinada que só tem clientes de alta renda”.

Na avaliação da promotora, Ciro agiu de forma intencional para “constranger e humilhar” a senadora, “menosprezando-a por sua condição de mulher, com o indiscutível propósito de dificultar o desempenho de seu mandato”. CartaCapital tenta contato com o ex-ministro para comentar as acusações e aguarda retorno.

Janaína Farias tomou posse no início de abril, como segunda suplente de Santana. Ela substituiu a senadora Augusta Brito, que deixou o cargo por 121 dias para assumir uma secretaria no Ceará.

A denúncia está relacionada a uma representação contra o político enviada em abril à Justiça Eleitoral cearense por um grupo de trabalho contra a violência política de gênero, vinculado à Procuradoria-Geral da República. Cabe ao juiz da 115ª Vara Eleitoral de Fortaleza decidir se acolhe ou não os argumentos elencados pelo MP.

O delito pelo qual Ciro foi acusado consiste em “assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar, por qualquer meio, candidata a cargo eletivo ou detentora de mandato eletivo, utilizando-se de menosprezo ou discriminação à condição de mulher ou à sua cor, raça ou etnia, com a finalidade de impedir ou de dificultar a sua campanha eleitoral ou o desempenho de seu mandato eletivo”.

A pena para este tipo de crime é de um a quatro anos, além de multa.A Procuradoria não ofereceu ao ex-ministro a possibilidade de acordo de não persecução penal porque, no caso de crimes praticados contra a mulher em razão do gênero, essa solução não é cabível.

Indenização por danos morais

Em outra ponta, a senadora Janaína Farias acionou a Justiça do Distrito Federal com pedido para que Ciro seja obrigado a pagar 300 mil reais em indenização por danos morais. Os advogados da parlamentar ainda querem que o ex-ministro se abstenha de proferir novas ofensas à petista, sob pena de multa. A demanda foi enviada na segunda-feira 13.

“As falas [de Ciro Gomes] não representam apenas opinião política, tampouco se caracterizam como um comentário meramente crítico, irônico e jocoso. As agressões lesionam a honra subjetiva e objetiva da Senadora, violam os mencionados direitos da personalidade e ainda evidencia o menosprezo à sua condição de mulher“, escreveu a defesa.

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