Movimento no Twitter cobra Bolsonaro por depósitos de Queiroz em conta de Michelle

Segundo pesquisador, questionamento chegou a mais de 1 milhão de posts na rede social

(Foto: Evaristo SA/AFP)

(Foto: Evaristo SA/AFP)

Política

Após o presidente Jair Bolsonaro ameaçar agredir um repórter no último domingo 23, internautas começaram a cobrar uma resposta sobre os depósitos de 89 mil reais feitos pelo ex-assessor parlamentar Fabrício Queiroz na conta da primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Segundo levantamento do professor Fabio Malini, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), a pergunta “Presidente, por que sua esposa, Michelle, recebeu R$ 89 mil de Fabrício Queiroz?” chegou a mais de 1 milhão de publicações únicas em menos de 24 horas.

Nomes como Anitta, Bruna Marquezine, Caetano Veloso, Danilo Gentili, Felipe Netto, Bruno Gagliasso e outros influenciadores também fizeram o questionamento ao presidente e impulsionaram as publicações.

Malini mostra que Bolsonaro ficou “sozinho e cercado”, sem a defesa de seus apoiadores.

“Até aqui, a ação síncrona de ataques a alvos era seguia uma “comunicação combatente” da direita do golpe (seria incorreto dizer q é uma invenção bolsonarista). Hoje, o Twitter de oposição ao governo descobriu a novilíngua”, diz o professor.

 

Investigação contra Michelle Bolsonaro

As informações sobre o valor recebido pela primeira-dama, que desde 2018 passava por investigação, foram divulgasdas no começo deste mês. Queiroz, de acordo com extratos bancários em poder do Ministério Público, depositou 21 cheques, entre 2011 e 2016, na conta de Michelle. Já sua esposa, Márcia, teria repassado cinco cheques. Ao todo, na conta da primeira-dama entraram 89 mil reais a partir de depósitos do casal.

Os dados dos repasses desmentem a versão de Bolsonaro sobre um cheque de 24 mil reais que, supostamente, era fruto de um empréstimo. Não há nenhum sinal na conta bancária de Queiroz de que ele tenha recebido dinheiro do presidente antes disso, o que configuraria o empréstimo.

Queiroz é acusado de ser um dos operadores de um esquema de rachadinha no gabinete do então deputado estadual Flávio Bolsonaro. Os rendimentos do ex-policial militar e ex-funcionário da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) mostram incompatibilidade com sua renda: entre 2007 e 2018, foram identificados 6,2 milhões de reais registrados na conta do ex-assessor, sendo que os valores referentes a rendimentos são de 1,6 milhão.

Também foram identificados pagamentos depositados na conta da esposa de Flávio Bolsonaro, Fernanda, que totalizariam 25 mil reais.

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Repórter do site de CartaCapital

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