Política

Motta escolhe Derrite para relatar PL antifacção do governo Lula

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), classificou a escolha como um ‘desrespeito com o presidente’

Motta escolhe Derrite para relatar PL antifacção do governo Lula
Motta escolhe Derrite para relatar PL antifacção do governo Lula
O ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite. Foto: Pablo Jacob/Secom/GESP
Apoie Siga-nos no

O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), escolheu Guilherme Derrite (PP-SP), deputado federal e secretário de Segurança Pública de São Paulo, como relator do projeto de lei enviado pelo governo Lula (PT) para combater as facções criminosas.

A indicação foi anunciada nas redes sociais nesta sexta-feira 7. A proposta em questão, escreveu Motta, “se transformará no Marco Legal do Combate ao Crime Organizado no Brasil”.

Derrite estava à frente da secretaria paulista até a última quarta-feira. Ele estava licenciado do mandato e retomou a cadeira para poder relatar a proposta no plenário.

Havia a expectativa de que o parlamentar assumisse a relatoria de outro projeto, o que equipara facções criminosas a organizações terroristas, mas o chefe da Câmara resiste a pautá-lo para não “polarizar o tema”, conforme relatos de aliados.

Após o anúncio, o relator anunciou em uma rede social que faria alterações ao texto enviado pelo Palácio do Planalto. As mudanças incluem:

  • Previsão de pena de 20 a 40 anos para condutas cometidas por membros de organizações criminosas, como domínio de cidades, novo cangaço, ataques a carros fortes, instalação de barricadas, ataques a presídios, dentre outros;
  • obrigatoriedade de cumprimento de pena em presídio de segurança máxima aos líderes das organizações criminosas;
  • vedação à concessão de anistia, graça, indulto, liberdade condicional e corte do auxílio reclusão de familiares de pessoas que cometam estes crimes; e
  • aumento da progressão de regime – ou seja, o cumprimento necessário da pena para benefícios como regime semiaberto – de 40% para pelo menos 70%.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), criticou a escolha de Derrite para a relatoria, que chamou de “desrespeito com o presidente Lula”. “O projeto de lei antifacção é uma prioridade do governo Lula e colocar nas mãos do secretário de segurança do governador Tarcísio beira uma provocação. Parece um interesse deliberado de não aprovar e de atrapalhar a tramitação da pauta prioritária do governo”.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo