Motociata de Bolsonaro custou R$1,2 milhão aos cofres públicos

Valor utilizado para policiamento foi informado pela Secretaria de Segurança Pública de São Paulo

Foto: MIGUEL SCHINCARIOL/AFP

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Política

A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que foram gastos mais de R$ 1,2 milhão com o reforço no policiamento para a motociata com o presidente Jair Bolsonaro realizada neste sábado, 12, na capital paulista e região de Jundiaí.

Policiais das três forças de segurança estaduais foram convocados para garantir a segurança do presidente e a fluidez no trânsito.

Dos mais de 6,3 mil policiais escalados, 1.433 atuaram exclusivamente nas medidas relacionadas ao deslocamento dos manifestantes ao longo dos 129 km do trajeto. Foram empregados policiais de batalhões territoriais e especializados, como Baep, Choque, Trânsito, Rodoviária e Comando de Aviação da PM, Canil, além de equipes do Corpo de Bombeiros e do Resgate.

A operação contou ainda com dedicação exclusiva de 5 aeronaves, 10 drones e aproximadamente 600 viaturas, entre motos, carros, bases comunitárias móveis e unidades especiais. Todo ato foi monitorado pelo sistema Olho de Águia, por meio de câmeras fixas móveis, motolink e bodycams.

O governo paulista autuou o presidente Bolsonaro, a deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP), o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, o deputado Coronel Tadeu e o ministro Marcos Pontes, da Ciência e Tecnologia, por não terem usado máscara na manifestação.

Bolsonaro justificou a realização da motociata como uma forma de “prestar contas” à população, e negou que o evento fosse de caráter propagandístico. “Não estamos em campanha, estamos aqui sempre, como faço em qualquer lugar que vou, [para] prestar conta. E eu desafio o governador daqui vir conversar com vocês”, discursou.

 

 

Presidente repete mentiras em discurso

Ao fim da motociata, Bolsonaro voltou a atacar o isolamento social, defendeu a implementação de um decreto contra máscaras e voltou a advogar pelo uso de hidroxicloroquina em um longo discurso feito para apoiadores em frente ao Parque do Ibirapuera.

“Propus que estudasse a possibilidade, levando em conta a ciência, se podemos sugerir a não obrigatoriedade de máscara para quem já contraiu o vírus ou para quem já foi vacinado. Quem por ventura for contra essa proposta de, por ventura, impor a máscara para quem já foi vacinado, é porque não acredita na ciência. O vacinado não tem como transmitir o vírus”, discursou. A afirmação é falsa.

O presidente também voltou a repetir que o Tribunal de Contas da União indica uma “supernotificação” de mortes de Covid-19, o que já foi desmentido pelo órgão e levou ao afastamento do servidor que o manipulou.

No discurso, Bolsonaro ainda chamou João Doria, governador de São Paulo, de “ditador” e reiterou que é contra isolamento social — e à favor do “isolamento vertical”, inexistente do ponto de vista científico.

“O isolamento praticado no Brasil, em especial em São Paulo, não encontra fundamentação científica para tal. Sempre falei em isolamento vertical. O meu governo não fechou o comércio, não decretou lockdown, não impôs toque de recolher, quem fez isso, fez errado”, declarou.

*Com informações do Estadão Conteúdo

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