Justiça

Por ordem de Moraes, Bolsonaro é transferido para a Papudinha

O ex-presidente cumpria na Superintendência da Polícia Federal a pena de 27 anos de prisão pela trama golpista

Por ordem de Moraes, Bolsonaro é transferido para a Papudinha
Por ordem de Moraes, Bolsonaro é transferido para a Papudinha
O ex-presidente Jair Bolsonaro, em 11 de setembro de 2025, durante prisão domiciliar. Foto: Sergio Lima/AFP
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O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou, nesta quinta-feira 15, a transferência imediata de Jair Bolsonaro (PL) para a Sala de Estado Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar, no Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. O local é conhecido como Papudinha.

Até então, o ex-presidente cumpria na Superintendência da Polícia Federal a pena de 27 anos de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado. A transferência ocorreu na tarde desta quinta.

Na decisão, Moraes autoriza Bolsonaro a receber assistência integral de seus médicos particulares “nas 24 horas”, sem necessidade de comunicação prévia. Se houver deslocamento ao hospital em situação de urgência, a defesa deverá notificar o STF em no máximo 24 horas.

O sistema penitenciário também deverá disponibilizar atendimento médico em tempo integral ao ex-capitão, em regime de plantão. O líder da trama golpista ainda terá direito a visitação semanal da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, dos filhos Carlos, Flávio, Jair Renan e Laura, e da enteada Leticia da Silva. Essas visitas poderão acontecer às quartas e às quintas-feiras, das 8h às 10h, das 11h às 13h ou das 14h às 16h.

Moraes seguiu uma recomendação da Procuradoria-Geral da República e avalizou a oferta de assistência religiosa a Bolsonaro pelo bispo Robson Rodovalho e pelo pastor Thiago Manzoni, uma vez por semana, às terças ou às sextas-feiras, com duração de uma hora. Também autorizou o ex-presidente a participar do programa de redução de pena pela leitura.

Nada de ‘tortura’

Na decisão, Moraes rebateu as alegações de aliados de Bolsonaro de que o ex-presidente sofreria um tratamento degradante na Superintendência da PF.

Enfatizou que, ao contrário de outros réus condenados à prisão por envolvimento no 8 de Janeiro de 2023, Bolsonaro cumpria sua pena em uma Sala de Estado Maior, por ter sido presidente — apesar de ter sido sentenciado como líder da conspiração.

Essa condição diferencia Bolsonaro dos 384.586 condenados que cumprem pena em regime fechado, explicou o ministro. Estão à disposição do ex-capitão itens como quarto com banheiro privativo, água corrente e aquecida; TV a cores; ar-condicionado; frigobar; médico da PF de plantão 24 horas por dia; e protocolo especial para entrega de comida caseira todos os dias.

Moraes escreveu, porém, que “mentirosa e lamentavelmente” se desenvolve uma tentativa de deslegitimar a execução da pena de Bolsonaro, “que vem ocorrendo com absoluto respeito à dignidade da pessoa humana e em condições extremamente favoráveis em relação ao restante do sistema penitenciário brasileiro”.

O magistrado contestou declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), do ex-vereador do Rio de Janeiro Carlos Bolsonaro (PL) e do deputado federal Paulo Bilynskyj (PL-SP) — que chegou a alegar “tortura” — sobre as condições oferecidas a Bolsonaro.

“Essas condições absolutamente excepcionais e privilegiadas não transformam o cumprimento definitivo da pena de Jair Messias Bolsonaro, condenado pela liderança da organização criminosa na execução dos gravíssimos crimes praticados contra o Estado Democrático de Direito e suas Instituições, em uma estadia hoteleira ou em uma colônia de férias, como erroneamente várias das manifestações anteriormente descritas parecem exigir”, reagiu Moraes.

Segundo o ministro, há “total ausência de veracidade” nas reclamações sobre aspectos como tamanho das dependências, banho de sol, barulho de ar-condicionado, horário de visitas e origem da dcomida.

Apesar disso, completou Moraes, Bolsonaro será transferido para uma Sala de Estado Maior “com condições ainda mais favoráveis, igualmente exclusiva e com total isolamento em relação aos demais presos do complexo”.

Ar-condicionado

O ministro do STF também ironizou a reclamação da defesa sobre um suposto ruído “contínuo e permanente” do aparelho de ar-condicionado na sala onde o ex-presidente estava, na Superintendência da PF.

O ar-condicionado, escreveu Moraes, é um “benefício totalmente inexistente para os demais 384.586 presos em regime fechado no Brasil”.

“Além da inusitada crítica à existência do benefício de ter ar-condicionado na Sala do custodiado, a defesa erroneamente informou a existência de ‘ruído contínuo e permanente’”, prosseguiu.

A PF informou nos autos que o sistema de climatização do edifício funciona entre 7h30 e 19h.

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