Política

Ministro diz que flanelinha no Rio de Janeiro ganha 4 mil reais por mês

Em evento com colegas do governo, Rogério Marinho criticou repercussão negativa sobre aumento da informalidade: ‘Não é nenhuma novidade’

O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Foto: Reprodução
O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. Foto: Reprodução
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O ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho, afirmou na segunda-feira 30 que um trabalhador informal que atua como “flanelinha” no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro, tem uma renda mensal de três a quatro mil reais. Marinho não citou a fonte da informação.

Ele participava de um evento transmitido virtualmente pela Câmara Brasileira de Indústria da Construção, a CBIC, junto ao ministro da Economia, Paulo Guedes, ao ministro do Trabalho e da Previdência, Onyx Lorenzoni, e ao presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, em um debate com o tema “Política e Estratégia”.

“Um flanelinha no Leblon, ele ganha três, quatro mil reais por mês. Um flanelinha”, disse, em referência ao bairro mais nobre da zona sul do Rio de Janeiro. Na sequência, afirmou que um trabalhador no Rio Grande do Norte ganha 200 reais mensais com uma atividade semelhante. “É uma realidade completamente diferente, as pessoas têm que entender isso para poder compreender o que é o nosso País.”

Marinho criticava a repercussão negativa sobre o aumento da informalidade no Brasil durante o governo do presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, antigamente, não se dava atenção à Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio Contínua, a PNAD Contínua, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Estudo divulgado pelo IBGE na segunda-feira 30 mostrou que a taxa de trabalhos informais compõe 40,6% dos postos de trabalho, percentual 0,6% maior com relação ao trimestre anterior. O índice representa 38 milhões de trabalhadores nessa condição.

“O Brasil sempre teve um problema estrutural na geração dos seus empregos. Nós sempre tivemos metade da nossa mão de obra na informalidade. Isso não é nenhuma novidade”, avaliou o ministro. “Em tempos pretéritos, quando se anunciava o número de emprego e desemprego do Caged, não se dava o destaque que se dá à PNAD do IBGE agora“, continuou, com a referência ao índice do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados.

Marinho também culpou os lockdowns durante a pandemia de Covid-19 pela dificuldade na geração de empregos. Segundo ele, as pessoas não podem “ter uma visão monocromática sobre o Brasil” e que há diferenças regionais na obtenção de renda por meio trabalho informal.

Renda média de guardadores formalizados é bem mais baixa

Embora Marinho afirme que flanelinhas no Leblon ganham quatro mil reais mensais, dados do Ministério do Trabalho indicam um valor menor para a renda média dos guardadores de veículos celetistas e estatutários. Ou seja: os menos precarizados na categoria.

De acordo com o Ministério, em 2020, a média da renda mensal entre guardadores de veículos na cidade do Rio de Janeiro era de 1.346,20 reais. Foram contabilizados 951 pelo MTE nessa condição.

No Rio de Janeiro, os guardadores de carros, nome dado pela administração municipal aos flanelinhas, precisam se cadastrar em sindicatos e associações da categoria para exercerem a atividade regularmente.

Já no Rio Grande do Norte, estado citado por Marinho a fins de comparação, a renda média do guardador de carros em 2020 foi de 1.216,22 reais naquele ano, segundo o MTE.

O Boletim Desigualdade nas Metrópoles, lançado em outubro, mostrou que, de fato, o Rio de Janeiro tem uma das maiores médias de rendimento per capita no País, e que as regiões Norte e Nordeste são as mais prejudicadas, considerando o trabalho formal e informal, mas o valor registrado no 2º trimestre de 2021 no Rio de Janeiro foi de 1.466,07 reais. O Rio aparece atrás de Florianópolis, 2.219,20 reais; Distrito Federal, 2.008,50 reais; e São Paulo, 1.617,68.

Em ordem crescente, as cinco Regiões Metropolitanas que apresentaram os menores níveis de renda média foram: Grande São Luís (698,65), Teresina (723,77), Maceió (746,11), Fortaleza (816,09) e Manaus (820,30).

Victor Ohana

Victor Ohana
Repórter do site de CartaCapital

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