Ministério da Saúde recua e não indica vacinação de adolescentes sem comorbidades

Natal e Salvador interromperam a vacinação; a cidade de São Paulo mantém o calendário

Créditos: Reprodução Instagram

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Política,Saúde

O Ministério da Saúde recuou na orientação sobre a vacinação de adolescentes entre 12 e 17 anos sem comorbidades contra a Covid-19. 

A mudança de posição, segundo nota divulgada na quarta-feira 15, se deu após um “possível evento adverso grave relacionado à vacina Pfizer em adolescente do estado de São Paulo”. A orientação anterior, anunciada pelo Ministério no dia 2 de setembro, recomendava a vacinação.

A pasta argumenta ainda que a “Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente, com ou sem comorbidades”.Essa não é, contudo, a orientação da OMS. A entidade afirma que crianças e adolescentes são menos propensos a ter complicações devido à doença, mas não traz nenhuma contraindicação à imunização — apenas afirma que a vacinação ampla deste público é “menos urgente” do que vacinar outros grupos, como pessoas mais velhas, com comorbidades e trabalhadores da saúde.

Natal e Salvador e o estado de Alagoas já anunciaram a suspensão da vacinação dos adolescentes. Já a cidade de São Paulo manteve o calendário. O governo paulista orienta cidades a manter vacinação e, em nota, criticou a decisão do Ministério da Saúde. “Infelizmente, e mais uma vez, as diretrizes do Programa Nacional de Imunização do Ministério da Saúde chegaram com atraso e descompassadas com a realidade dos estados, que em sua maioria já estão com a vacinação em curso.”

Segundo o ministro Marcelo Queiroga, a mudança de orientação da pasta sobre a aplicação da vacina em adolescentes tem relação com estados e municípios que “passam à frente das recomendações” em relação ao tempo de aplicar o imunizante e ao tipo de vacina que é usada.

“O que nós observamos, além de antecipar a aplicação doses em adolescentes, é a aplicação de outras vacinas para adolescentes em comorbidades. Por isso, o Ministério da Saúde emitiu uma nota informativa restringindo a vacinação para adolescentes com comorbidades e com o imunizante autorizado”, explicou.

O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass), que participa das decisões sobre os rumos do Plano Nacional de Imunizações, divulgou também nesta quarta-feira nota que contraria a decisão do Ministério. Segundo a entidade, a “vacinação de todos os adolescentes é segura e será necessária”. Nesta quinta-feira 16, o Conass e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) solicitaram posicionamento da Anvisa sobre o caso.

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Repórter do site de CartaCapital

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