Mundo

Milei volta a chamar Lula de ‘ladrão’ e dobra aposta nas ofensas contra o governo

Novas declarações reforçam a estratégia incendiária do argentino em apoio à campanha de Flávio Bolsonaro, às custas do desgaste entre os dois países

Milei volta a chamar Lula de ‘ladrão’ e dobra aposta nas ofensas contra o governo
Milei volta a chamar Lula de ‘ladrão’ e dobra aposta nas ofensas contra o governo
O presidente da Argentina, Javier Milei. Foto: Saul Loeb/AFP
Apoie Siga-nos no

O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a usar o cargo para atacar Lula (PT) e ampliou a crise diplomática com o Brasil. Em entrevista ao canal argentino LN+, no domingo 2, o líder ultradireitista repetiu as ofensas feitas dias antes, durante a convenção do PL em São Paulo: chamou o presidente brasileiro de “ladrão” e “corrupto”, distorceu o teor das decisões judiciais que anularam as condenações da Lava Jato e acusou Lula, sem apresentar provas, de interferir politicamente em outros países da região. Até a manhã desta segunda-feira 3, o governo brasileiro não respondeu aos novos ataques.

Questionado sobre a reação das autoridades brasileiras ao discurso feito em território nacional, reforçou a provocação e tentou apresentar os ataques como uma resposta factual às críticas que recebe. “O pior é que me acusam com mentiras, e eu respondo com verdades. Eu não menti”, afirmou. Na sequência, voltou a chamar Lula de “vigarista”, “ladrão” e “condenado”, embora as condenações do petista tenham sido anuladas pelo Supremo Tribunal Federal por questões de competência da Justiça Federal do Paraná e pela parcialidade do então juiz Sergio Moro — e não por um simples “recurso administrativo”, como disse.

“Eu fui ao Brasil e não ataquei os brasileiros; falei em favor dos brasileiros”, contemporizou o presidente argentino. No mesmo trecho, também voltou a se referir ao ministro Alexandre de Moraes, do STF, criticando a decisão que impediu uma visita sua a Jair Bolsonaro.

Milei ainda acusou Lula de “contaminar” a América Latina com as “ideias imundas do socialismo”. Também se queixou de um suposto tratamento desigual dado às agressões verbais de líderes de esquerda. Citou, além de Lula, os presidentes Gustavo Petro, da Colômbia, e Pedro Sánchez, da Espanha, e os ex-presidentes Evo Morales, Rafael Correa e integrantes do governo brasileiro.

A nova rodada de ataques prolonga a crise aberta durante a convenção do Partido Liberal, realizada em São Paulo. Milei participou do evento de lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e transformou sua passagem pelo Brasil em palanque eleitoral. Diante de aliados do bolsonarismo, disse confiar no senador para “deter o lixo socialista”, chamou Lula de “ladrão”, “corrupto” e “presidiário” e classificou Alexandre de Moraes como “lixo careca”.

A cena extrapolou o repertório habitual de provocações de Milei. Como chefe de Estado estrangeiro, ele usou uma agenda em solo brasileiro para interferir abertamente no debate eleitoral do país, hostilizar o presidente da República e atacar um integrante do Supremo Tribunal Federal.

A reação de Brasília foi imediata. O Itamaraty convocou o embaixador argentino para prestar esclarecimentos e chamou para consultas o representante brasileiro em Buenos Aires, classificando o episódio como sem precedentes nas relações entre os dois países.

Inicialmente, Lula reagiu com ironia — “Quem é esse cara?” —, mas depois elevou o tom e definiu a participação de Milei na convenção do PL como uma “patacoada”. Disse ainda que preserva uma relação institucional com o Estado argentino, embora tenha deixado claro que não pretende manter interlocução política direta com Milei: “Não vou ficar trocando coisa com aquela coisa.”

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo