Política

Michelle Bolsonaro sinaliza desistência do Senado e amplia crise no PL

Depois de deixar o comando do PL Mulher, a ex-primeira-dama indicou a Valdemar Costa Neto que não pretende disputar uma vaga na Casa Alta

Michelle Bolsonaro sinaliza desistência do Senado e amplia crise no PL
Michelle Bolsonaro sinaliza desistência do Senado e amplia crise no PL
Michelle Bolsonaro e Valdemar Costa Neto. Foto.: Beto Barata/ PL
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

A crise entre Michelle Bolsonaro e o senador Flávio Bolsonaro (RJ) ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira 2, com a sinalização de que a ex-primeira-dama tende a abrir mão da candidatura ao Senado pelo Distrito Federal. A avaliação passou a ser feita pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que afirmou que Michelle lhe disse não acreditar mais na disputa eleitoral. 

Segundo Valdemar, Michelle demonstrou estar decidida a não concorrer e o partido já começou a discutir nomes para substituí-la na chapa do DF. O dirigente afirmou, porém, que ainda tentará convencê-la a participar da campanha presidencial de Flávio, por considerá-la um dos principais ativos eleitorais da legenda. 

A possível desistência ocorre dois dias depois de Michelle anunciar sua saída da presidência do PL Mulher. Em seguida, Valdemar decidiu extinguir o comando nacional do segmento feminino da sigla, sob o argumento de que “não há ninguém com o tamanho de Michelle”. A estrutura criada pela ex-primeira-dama, no entanto, será mantida por meio dos diretórios estaduais organizados durante sua gestão. 

O desgaste interno começou após Michelle tornar pública a insatisfação com Flávio Bolsonaro. Em um vídeo divulgado na semana passada, ela afirmou ter sido “maltratada”, “desrespeitada” e “humilhada” pelo enteado durante divergências sobre a estratégia eleitoral do partido no Ceará. Desde então, aliados relatam dificuldades para reaproximar os dois, e a ex-primeira-dama passou a reduzir sua participação nas articulações da pré-campanha presidencial.

Na tentativa de conter os danos, Flávio reuniu, na quarta-feira 1º, lideranças conservadoras em um café da manhã voltado ao eleitorado feminino, em Brasília. O encontro foi planejado para reforçar a interlocução da pré-campanha com as mulheres, segmento considerado decisivo para a disputa presidencial, mas acabou marcado pela ausência de Michelle e de outras expoentes do campo bolsonarista, como as senadoras Damares Alves (Republicanos-DF), Tereza Cristina (PP-MS) e Margareth Buzetti (PP-MT).

Na reunião, o senador também procurou se desvincular das declarações do influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, para quem “mulher vota muito mal”. Flávio classificou a afirmação como “completamente equivocada” e disse que se sentiu pessoalmente ofendido pela generalização feita pelo aliado.

Ao abordar o desempenho da direita entre o eleitorado feminino, o senador atribuiu a dificuldade à própria campanha. Segundo ele, se as pesquisas mostram resistência das mulheres, “a culpa é da minha falta de competência” e da incapacidade da direita de se comunicar melhor com esse segmento.

Nos bastidores, integrantes do PL avaliam que a possível saída de Michelle da disputa pelo Senado aprofunda uma crise que extrapola a relação familiar e atinge a estratégia eleitoral da legenda. Além de perder a principal liderança feminina do partido, Flávio corre o risco de ficar sem o apoio daquela que dirigentes consideram a figura mais influente do bolsonarismo entre mulheres e evangélicos, justamente os grupos que a campanha tenta conquistar para reduzir sua rejeição.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo