Justiça

Megaoperação da PF mira suspeitas de desvios em emendas parlamentares e atinge família Bezerra Coelho

Operação Vassalos cumpre dezenas de mandados e investiga suposto esquema milionário envolvendo fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro

Megaoperação da PF mira suspeitas de desvios em emendas parlamentares e atinge família Bezerra Coelho
Megaoperação da PF mira suspeitas de desvios em emendas parlamentares e atinge família Bezerra Coelho
O ex-senador Fernando Bezerra Coelho. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado
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A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira 25 uma megaoperação para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos ligados a emendas parlamentares e contratos administrativos. Batizada de Operação Vassalos, a ação foi autorizada pelo Supremo Tribunal Federal e mobiliza o cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em Pernambuco, Bahia, São Paulo, Goiás e no Distrito Federal.

Entre os alvos estão o ex-senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE) e o deputado federal Fernando Coelho Filho (União Brasil-PE), além do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho (União Brasil). Segundo as apurações, investigadores suspeitam da atuação de uma organização formada por agentes públicos e privados que teria direcionado processos licitatórios para empresas vinculadas ao grupo.

O deputado Fernando Coelho Filho (União-PE) é um dos alvos da PF por suspeita de corrupção em emendas parlamentares. Foto: Zeca Ribeiro / Câmara dos Deputados

De acordo com a Polícia Federal, o esquema investigado envolveria o uso de recursos provenientes de emendas parlamentares para financiar contratos públicos. Parte dos valores, conforme a linha investigativa, teria sido desviada para pagamento de vantagens indevidas e para ocultação de patrimônio, em uma dinâmica que também levanta suspeitas de lavagem de dinheiro.

As diligências foram determinadas pelo ministro Flávio Dino, do STF, e abrangem locais relacionados aos investigados e empresas citadas nas apurações. A ação também busca mapear o fluxo financeiro e dimensionar o possível prejuízo aos cofres públicos.

Na decisão, o ministro Dino menciona que relatórios policiais apontaram o envio de milhões de reais em repasses federais para obras de pavimentação em Petrolina entre 2017 e 2024, muitas delas concentradas em contratos com a mesma construtora. As investigações indicam ainda possíveis vínculos familiares e políticos entre integrantes da empresa beneficiada e o grupo investigado, além de movimentações financeiras consideradas atípicas e indícios de favorecimento em licitações.

As diligências abrangem pessoas físicas, empresas e órgãos públicos considerados relevantes para o avanço das apurações. Segundo o despacho, a PF argumentou que há elementos que apontam influência política na destinação de recursos federais e na estrutura da Codevasf, o que teria facilitado o direcionamento de contratos e a execução dos repasses investigados.

As defesas dos investigados afirmaram que ainda não tiveram acesso integral às decisões judiciais e informaram que devem se manifestar após análise dos autos. 

Em nota, Fernando Filho e Miguel Coelho defenderam as emendas e afirmaram que a operação se trata de perseguição política. “Impossível não destacar o viés político desse tipo de operação, uma vez que jamais deixamos de prestar quaisquer informações aos órgãos de controle, sejam estaduais ou federais. As contas de Petrolina, aliás, estão devidamente regulares e aprovadas. Seguimos com tranquilidade e confiantes na Justiça brasileira”.

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