Justiça

Marçal vira réu por arriscar a vida de 32 pessoas em expedição ao Pico dos Marins

O coach terá dez dias para apresentar sua defesa prévia no processo, em tramitação no Tribunal de Justiça de São Paulo

Marçal vira réu por arriscar a vida de 32 pessoas em expedição ao Pico dos Marins
Marçal vira réu por arriscar a vida de 32 pessoas em expedição ao Pico dos Marins
Pablo Marçal no Pico dos Marins, em 2022. Foto: Reprodução/Redes Sociais
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

A juíza Rafaela Glioche, do Tribunal de Justiça de São Paulo, tornou o coach Pablo Marçal (PRTB) réu por colocar em risco pelo menos 32 pessoas em uma expedição ao Pico dos Marins, em Piquete (SP), em 2022.

Na avaliação da magistrada, a denúncia do Ministério Público paulista traz uma descrição “adequada e suficiente” das condutas. Com o recebimento da acusação, a Corte dará início a uma ação penal, ao fim da qual o ex-candidato a prefeito da capital será condenado ou absolvido.

Marçal terá dez dias, contados após a intimação, para apresentar sua defesa prévia. Poderá, por exemplo, especificar as provas que pretende produzir no processo e listar até oito testemunhas.

O Ministério Público de São Paulo propôs um acordo para o coach pagar 273,2 mil reais e arquivar o processo. Não houve, porém, resposta da defesa nos autos, o que levou a Justiça a aceitar a denúncia.

O órgão denunciou o coach por “expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente” (por 32 vezes, na forma do artigo 71 do Código Penal, a tratar de crimes continuados).

Conforme a acusação, a chuva se intensificou quando o grupo liderado por Marçal subia a trilha rumo ao cume do Pico dos Marins, “com pouca visibilidade, o que tornava o trajeto inóspito, permeado de lama e pedras escorregadias, afora o risco de hipotermia”.

Marçal, porém, chamou o guia de “covarde” e desdenhou dos alertas, segundo a denúncia. A expedição ocorreu entre 4 e 5 de janeiro de 2022, um período contraindicado, “sob o infundado pretexto de que as vítimas por ele guiadas precisariam correr riscos, enfrentando a natureza hostil daquele período, sem o que não seriam capazes de vencer e prosperar na vida”.

Em nota após Marçal virar réu, o advogado dele, Tassio Renam, afirmou que a defesa recusou o acordo proposto pelo MP porque ele implicaria admitir responsabilidade pela organização da caminhada nos Marins.

“Adicionalmente, há o relatório de conclusão elaborado pelo Delegado Francisco Sannini, que atestou a inexistência de dolo por parte de qualquer dos participantes e concluiu pelo não indiciamento dos envolvidos”, diz o comunicado. “Essa orientação, no entanto, não foi respeitada.”

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo