Política

‘Lula reacendeu a esperança de reconstrução da democracia’, diz Jean Wyllys ao se filiar ao PT

Presente na cerimônia virtual, Dilma Rousseff relembrou o cuspe de Wyllys em Bolsonaro: ‘Um ato impulsionado desde a alma’

Foto: Reprodução/PT
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O ex-deputado federal Jean Wyllys anunciou oficialmente nesta segunda-feira 24 sua filiação ao PT, em uma cerimônia virtual que contou com a participação, entre outros, do ex-presidente Lula, da ex-presidenta Dilma Rousseff e da presidenta do partido, Gleisi Hoffmann.

Wyllys, que renunciou ao seu terceiro mandato de deputado pelo PSOL após sofrer ameaças de morte, vive em Barcelona. No evento desta segunda, fez questão de destacar sua relação de proximidade com o PT, em especial a partir do golpe que depôs Dilma, em 2016, e do avanço da Lava Jato contra Lula.

“No momento mais grave da difamação e do complô contra Lula, que culminou com sua prisão por mais de um ano, momento em que o juiz corrupto Sergio Moro era constituído como herói por ter agido com má-fé contra Lula, eu permaneci do lado de Lula, mesmo sabendo o preço que eu pagaria e já estava pagando. E fiquei do lado de Lula porque o que me movem são princípios, os princípios que agora me levam a me filiar ao PT”, disse o ex-deputado.

“Depois de Lula ter conseguido de volta seus direitos políticos, ele reacendeu a esperança no povo brasileiro de que podemos reconstruir a democracia brasileira e novos e bons tempos. Lula aparece em todas as pesquisas como o único candidato capaz de vencer Bolsonaro e seu fascismo no próximo ano”, acrescentou.

Ao justificar a filiação, Wyllys afirmou que ela é também uma “estratégia contra o fascismo e uma forma de comprometer Lula e o PT com a agendas das quais não podemos abrir mão”. São elas: “um crescimento econômico que leve em conta a sustentabilidade dos recursos naturais e a reversão das mudanças climáticas; a promoção da equidade de gênero e da cidadania plena das mulheres em geral, mas em particular das mulheres negras pobres, o que significa enfrentar o racismo estrutural e institucional; a promoção da cidadania plena da comunidade LGBTQ; e o combate à desinformação e às fake news”.

Ao discursar na cerimônia, Lula afirmou que Jean Wyllys “jamais se afastou um milímetro da defesa dos direitos humanos, hoje ameaçados como poucas vezes em nossa história”. Disse também que o ex-parlamentar “nunca abandonou a luta pela democracia, contra as desigualdades, pela inclusão social e pelo respeito à diversidade”.

Dilma Rousseff, por sua vez, mencionou um episódio marcante na vida de Wyllys: o cuspe que ele lançou em Jair Bolsonaro quando o então deputado de extrema-direita votou pelo impeachment em 2016 homenageando o torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra.

“Jean Wyllys teve a coragem de fazer o ato que todos nós, quando repudiamos uma coisa, nos impulsiona desde a alma: ele cuspiu naquele que homenageava a tortura em uma manifestação de desprezo, de negação de qualquer princípio civilizatório”, declarou Dilma. “Quero saudar a coragem, mas também a lucidez de Jean Wyllys”.

Leonardo Miazzo

Leonardo Miazzo
Editor do site de CartaCapital. Twitter: @leomiazzo

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