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Conselho de Ética rejeita suspender Jean Wyllys por cuspe em Bolsonaro

Política

O Conselho de Ética da Câmara dos Deputados votou nesta quarta-feira 5 pela rejeição do parecer referente ao processo contra o deputado Jean Wyllys (PSOL-RJ) por ter cuspido na direção de Jair Bolsonaro (PP-RJ) durante a votação do impeachment de Dilma Rousseff em 17 de abril de 2016.

No parecer, relatado pelo deputado Ricardo Izar (PP-SP), foi pedida a suspensão do mandato do psolista por quatro meses. O parecer foi rejeitado por com 9 votos contrários e 4 favoráveis. 

Após discursos em que levaram em conta o clima “belicoso” da votação do impeachment e ponderações de que seria nocivo levar o assunto ao plenário, os deputados optaram por aprovar o parecer alternativo de Júlio Delgado (PSB-MG), que recomendou uma advertência por escrito a Wyllys, a ser lida no plenário da Câmara. O novo parecer foi aceito por 13 votos e uma abstenção. 

O processo originou-se de uma representação movida pelo ator Alexandre Frota e o pastor Ezequiel Teixeira (PTN-RJ), que já fez declarações favoráveis à “cura gay” e comparou a homossexualidade a doenças como a AIDS. 

Outros três processos de quebra de decoro parlamentar ainda poderão ser instaurados. Dois deles também envolvem a família Bolsonaro e concentram-se no filho de Jair, Eduardo Bolsonaro (PP-RJ). O outro é contra o delegado Eder Mauro (PSD-PA).

Uma das representações contra Eduardo acusa o deputado de também cuspir em Wyllys durante a votação do impeachment. A outra refere-se a divulgação de um vídeo sobre o caso no Facebook. De acordo com a representação contra Eduardo Bolsonaro, a edição do vídeo tinha o “nítido objetivo de distorcer alguns fatos e induzir a erro as pessoas que assitirem ao vídeo”.  

Em entrevista ao site Sul 21, Willys afirmou “não ter muitas expectativas” com relação ao Conselho de Ética da Câmara. “A gente está vivendo um momento muito difícil no País. Um país que depôs a presidenta, que coloca no Supremo Tribunal Federal alguém como Alexandre de Moraes é um país que pode derrubar o mandato de um deputado honesto, intelectual e que defendeu a democracia. Nada mais vai me espantar se acontecer”, disse. 

Após a reviravolta, porém, deputados do PSOL comemoraram a decisão. 

A suspensão do mandato só foi adotada uma vez até hoje. O caso aconteceu em 2013, quando o deputado Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO) foi acusado de relacionar-se com o bicheiro Carlinhos Cachoeira e condenado por peculato, corrupção e formação de quadrilha. 

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