Política

Lula quer a pauta; Alcolumbre, o Senado: o que está por trás da reaproximação

Interesses do petista e do presidente do Senado convergem para uma possível reeleição de ambos, o que pode azeitar novas negociações 

Lula quer a pauta; Alcolumbre, o Senado: o que está por trás da reaproximação
Lula quer a pauta; Alcolumbre, o Senado: o que está por trás da reaproximação
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o presidente Lula (PT). Foto: Sérgio Lima/AFP
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Eleições 2026

A segunda conversa entre Lula (PT) e Davi Alcolumbre (União-AP) em pouco mais de uma semana expôs o interesse que os aproxima após meses de ruptura. O petista precisa do Senado para transformar em resultados de governo algumas das principais bandeiras de sua campanha. Alcolumbre, por sua vez, trabalha para chegar à eleição da presidência da Casa Alta em 2027 com força suficiente para permanecer no cargo.

Nessa negociação entram as propostas que Lula levou à reunião no Palácio da Alvorada na quarta-feira 12. O presidente pediu que Alcolumbre ajude a destravar a PEC que acaba com a escala 6×1 e a PEC da Segurança Pública, ambas aprovadas pela Câmara. A primeira tem peso especial para o Planalto porque Lula pretende transformá-la em uma das bandeiras de sua campanha. A segunda permitiria ao governo apresentar um avanço em uma área que deverá ter grande peso na eleição – e que será explorada exaustivamente pelos bolsonaristas.

Alcolumbre, porém, não saiu da conversa comprometido com um calendário. No caso da 6×1, a sinalização foi que a tramitação pode ser destravada, mas sem garantia de votação ainda neste ano. A PEC da Segurança aparece em situação mais favorável e, segundo relatos de aliados de ambos os lados, pode chegar ao plenário antes da eleição. O senador ficou de consultar líderes e demais integrantes da Casa antes de definir os próximos passos.

Para o presidente do Senado, a negociação vai além das votações deste ano. Alcolumbre articula apoio para sua permanência no comando da Casa em 2027 e vê na aproximação com Lula uma forma de fortalecer sua condição. O governo também tem interesse em sua continuidade, embora nenhum dos dois tenha formalizado um compromisso nesse sentido.

A disputa pela presidência do Senado ajuda a explicar a urgência da reaproximação. O bolsonarismo trabalha para lançar Tereza Cristina (PP-MS), enquanto Alcolumbre precisa reunir aliados de diferentes correntes para se manter competitivo. Nesse cenário, o apoio do Planalto pode ser importante, sobretudo porque o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), já declarou endosso à reeleição de Lula.

A eleição presidencial também entra na conta. José Guimarães, ministro das Relações Institucionais, afirmou depois da reunião que Alcolumbre está alinhado à candidatura de Lula e ao palanque governista no Amapá. O senador não declarou publicamente esse apoio nos termos declarados pelo ministro, mas a aproximação cria uma expectativa de convergência também no estado.

O acordo, por enquanto, está mais no terreno dos interesses comuns do que no campo dos compromissos. A crise provocada pela rejeição de Jorge Messias para o STF ficou de fora da conversa, e Lula não ofereceu formalmente apoio à recondução de Alcolumbre. Do outro lado, o presidente do Senado tampouco garantiu a votação da 6×1 antes das eleições.

O teste da nova relação virá no Congresso. O governo pretende pressionar pela tramitação das propostas durante os períodos de esforço concentrado que antecedem a eleição. Alcolumbre terá de decidir quanto espaço dará à agenda de Lula sem comprometer sua própria articulação para 2027. A capacidade dos dois de transformar o diálogo em votações concretas será o primeiro sinal de que a trégua poderá evoluir para uma nova parceria.

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