Lula: ‘Militares têm de defender a soberania do País, não dar sustentação a um genocida’

Ao analisar o cenário das eleições presidenciais de 2022, o petista disse buscar um vice que 'pense no povo' e 'não pense em dar golpe'

O ex-presidente Lula durante entrevista coletiva em Natal (RN). Foto: Reprodução

O ex-presidente Lula durante entrevista coletiva em Natal (RN). Foto: Reprodução

Política

O ex-presidente Lula reforçou nesta quarta-feira 25 que só conversará com os militares se vencer as eleições presidenciais de 2022, na condição de chefe supremo das Forças Armadas. Destacou, porém, que a Constituição de 1988 define o papel da instituição e que, “se alguém nas Forças quiser fazer política, tem de se aposentar e ser candidato”.

 

 

“Os militares têm de entender que têm um papel importante na defesa da soberania brasileira e do bem-estar do povo brasileiro. O que eles não podem é dar sustentação a um genocida responsável por quase 600 mil mortes neste País”, afirmou o petista em entrevista coletiva em Natal. Lula iniciou a viagem ao Nordeste em 15 de agosto.

Questionado sobre a busca por um candidato a vice-presidente para sua chapa em 2022, ele disse, em tom de brincadeira, que o postulante “não pode ser mais bonito, mais inteligente ou mais alto” que ele. Mas, “brincadeira à parte”, afirmou que o vice tem de “pensar no povo” e “não pensar em dar golpe”. O candidato, portanto, terá de ser “leal na nossa relação, o que me dará tranquilidade para dormir todo dia sem medo de uma rasteira”.

Sobre o cenário eleitoral, Lula declarou que “adoraria” que o ex-juiz Sergio Moro fosse candidato “e participasse dos debates, porque a sociedade perceberia a pessoa medíocre que ele é, não apenas do ponto de vista cultural, mas no caráter”. Ponderou, no entanto, que não acredita “que ele tenha coragem”.

Lula também afirmou que Jair Bolsonaro dizia representar “o novo” e tentaria “acabar com a velha política”, mas caiu “naquilo que ele achava que era a ratoeira da velha política e, hoje, está mais dependente da velha política do que qualquer presidente já esteve na história do Brasil”.

“Inclusive com mecanismo de compra de votos de deputados que nunca teve neste País. Ele aprovou um orçamento secreto para poder conquistar os votos dos deputados”, prosseguiu. Lula acrescentou que o povo brasileiro quer “um governo civilizado, humanista, democrático, que pense com o coração e não governe pensando apenas no capital”.

Na segunda-feira 23, Bolsonaro sancionou a previsão de pagamento das emendas do relator-geral e das comissões na Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2022. Com isso, os parlamentares poderão indicar esses recursos no Orçamento do ano que vem, em pleno período eleitoral.

As emendas de relator estão no centro do orçamento secreto. Essas verbas foram incluídas no Orçamento nos dois últimos anos e aumentaram a quantidade de recursos com a digital dos parlamentares. O governo Bolsonaro usou a distribuição para negociar apoio político no Congresso, reforçando uma velha prática conhecida como “toma lá, dá cá” na liberação de recursos em troca de votos no Legislativo.

 

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