Economia

Lula enfatiza diálogo, mas exige respeito de Trump e afirma que não aceitará ‘lição de negociação’

O chanceler Mauro Vieira antecipou que o Itamaraty planeja enviar em 18 de agosto uma resposta aos EUA sobre temas como o Pix

Lula enfatiza diálogo, mas exige respeito de Trump e afirma que não aceitará ‘lição de negociação’
Lula enfatiza diálogo, mas exige respeito de Trump e afirma que não aceitará ‘lição de negociação’
O presidente Lula (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB). Foto: Evaristo Sa/AFP
Apoie Siga-nos no

O presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira 5 não haver no mundo um governo que goste de negociar tanto quanto o seu. Declarou também que desejava que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tivesse ouvido a verdade sobre o Brasil para evitar o tarifaço.

Segundo o petista, se o republicano soubesse da realidade comercial entre os dois países, as tarifas de 50% seriam evitadas. 

“Neste mundo, ninguém me dá lição de negociação. Já lidei com muitos magnatas no mundo e eu respeito todos”, disse Lula, na 5ª reunião plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, o Conselhão. “A única coisa que eu quero é ser tratado com respeito, e o presidente norte-americano não tinha o direito de anunciar as taxações como anunciou. Pudesse ter pegado o telefone, ligado para nós e negociado.”

O evento ocorreu no Palácio Itamaraty, onde o presidente deu posse aos novos integrantes do Conselhão.

O vice-presidente e ministro de Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin (PSB), reforçou que o governo federal tem disposição para o diálogo com os norte-americanos. Ele enfatizou que as negociações não param mesmo com o início da vigência do tarifaço, nesta quarta-feira 6, e com a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

Segundo o vice, o Brasil procura ampliar mercados já consolidados com países da União Europeia, como Suécia e Reino Unido, e abrir negociações com países asiáticos.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disse que o tarifaço de Donald Trump é“ injusto, indevido e não condizente” com os 200 anos de relações entre o Brasil e os Estados Unidos. O ministro ainda afirmou que o Pix será protegido e que o governo não cederá à pressão de multinacionais contra a tecnologia brasileira. “O Brasil é grande demais para ser colônia ou satélite de qualquer país […]. Não vamos cair na armadilha de um governo que está tomando medidas agressivas por desinformação.”

O ministro Mauro Vieira antecipou que o Ministério das Relações Exteriores planeja enviar em 18 de agosto uma resposta aos Estados Unidos sobre temas como o Pix, previstos na Seção 301 — usada por Trump para pressionar o Brasil. Como Alckmin sinalizou na segunda-feira 4, o Brasil ingressará na Organização Mundial do Comércio por uma cobrança pelo respeito ao multilateralismo sob regras. Segundo Vieira, as tratativas do governo federal foram fundamentais para excluir quase 700 produtos das tarifas de 50%.

O chanceler disse que negociações econômicas são muito bem-vindas, desde que não interfiram nos sistemas político ou judicial do Brasil.

Já a ministra Gleisi Hoffmann (PT), das Relações Institucionais, disse que o Brasil não pode aceitar ser submisso às pressões internacionais e que soberania não se negocia. De acordo com ela, integrantes do empresariado, da Câmara dos Deputados, do Senado, dos ministérios e de organizações sociais têm se unido para solucionar o problema da crise diplomática entre Brasil e os EUA.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.

CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.

Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo