Política

Lula diz que PT não vai fazer acordo com o Centrão para vencer as eleições

Ex-presidente ainda afirmou que Alckmin será indicado oficialmente pelo PSB como vice na próxima sexta-feira, mas nome terá que passar pelo crivo do PT

Foto: Reprodução
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O ex-presidente Lula (PT) afirmou nesta terça-feira 5 que o PT não busca alianças com partidos do Centrão para as eleições deste ano. Conforme explicou em entrevista a uma rede de rádios do Paraná, a legenda atualmente trabalha apenas com alianças na centro-esquerda e esquerda tradicional, evitando conversas com partidos do bloco, mesmo aqueles que estariam mais afastados da campanha de Jair Bolsonaro (PL).

“[O PT não vai fazer acordo com o Centrão] porque o Centrão não é um partido político. Tem partidos do Centrão que não estão ligados diretamente à campanha de Bolsonaro. O que nós queremos é juntar todos os partidos progressistas que estão trabalhando pela democratização e reconstrução do país, aqui entram praticamente todos os partidos de esquerda e de centro-esquerda. Nós vamos ganhar as eleições com o espectro mais progressista da sociedade”, destacou Lula.

O ex-presidente, no entanto, reforçou que em um eventual governo, caso o Centrão garanta cadeiras no Congresso e ele seja eleito para um terceiro mandato, terá que obrigatoriamente conversar com as legendas. “Se quiser aprovar um projeto você vai ter que conversar com todos que foram eleitos. Você conversa com quem tem mandato, não com suplentes. Essa é a prática política da humanidade, não sou eu que estou inventando isso”, explicou.

O petista aproveitou o tema para reforçar o alerta que tem feito desde que aumentou a agenda de atos de pré-campanha, em especial, durante aqueles em que apresenta os candidatos regionais apoiados pelo PT. Nos eventos, Lula tem dito que tão importante quanto eleger um presidente será garantir que a centro-esquerda tenha maioria no Congresso.

“Se você quer fazer uma mudança séria, temos que ter outra qualidade de senadores e deputados. Se você bota uma raposa para cuidar do galinheiro, ela não vai tomar conta da galinha e do galo, ela vai comer”, alertou o petista sobre o novo perfil que vislumbra para o Parlamento brasileiro.

Caminho aberto para Alckmin

Na entrevista, Lula voltou a abrir caminho para compor uma chapa entre ele e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSB). Segundo disse, na próxima sexta-feira 8 o antigo adversário eleitoral deve ser oficialmente oferecido ao PT como postulante a vice. A composição, no entanto, precisará passar pelo crivo do partido.

“Eu acho que eu e Alckmin podemos estar juntos na chapa. Na sexta-feira tenho uma reunião que o PSB vai propor o Alckmin de vice e vamos levar isso para discutir no PT. Se nós estivermos juntos vamos reconstruir o Brasil. Somos dois democratas, gostamos de democracia e temos como prova os exercícios dos nossos mandatos”, sinalizou Lula ao recente aliado.

Na conversa desta terça-feira, Lula voltou ainda a defender a regulação das mídias sociais, explicando que sua ideia não é promover censura, mas sim uma forma de impedir a produção de notícias falsas e minimizar a propagação de ódio nas redes.

“[A regulação que defendo] Não é para evitar que as pessoas sejam verdadeiras, mas sim evitar mentiras. […] Eu acho que é uma coisa no mundo inteiro, possivelmente não seja nem um debate nacional, é um debate que pode ser coordenado pelas Nações Unidas”, destacou.

“A gente precisa de uma regulação para poder dormir tranquilo, sabendo que as pessoas não estão ameaçando matar sua família, dar um tiro em alguém, roubar…Essas coisas não podem ser utilizadas na internet como se fossem liberdade de comunicação”, acrescentou Lula em defesa do tema.

 

Getulio Xavier

Getulio Xavier
Repórter do site de CartaCapital

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