Lula apresenta melhora em sua imagem política, aponta pesquisa

A avaliação positiva do ex-presidente teve avanço de sete pontos percentuais, mostra o Atlas Político

Lula é carregado pelo povo em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC 
Foto: Nelson ALMEIDA / AFP

Lula é carregado pelo povo em frente ao Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Foto: Nelson ALMEIDA / AFP

Política

Uma pesquisa realizada pela plataforma Atlas Político mostra que a libertação do ex-presidente Lula teve um impacto positivo em sua avaliação. A consultoria colheu a opinião de 2 mil pessoas, pela internet, entre os dias 10 e 11 de novembro – depois de o petista deixar a prisão, no último dia 8 – e constatou alta no percentual dos que rejeitam a prisão do ex-presidente. O índice passou de 37,4%%, em julho, para 44,4%, o maior valor registrado este ano. A imagem positiva do ex-presidente também teve avanço de sete pontos percentuais, de 34% para 40,7%.

A pesquisa ainda apresenta dados um pouco contraditórios quanto à atual situação do ex-presidente. Enquanto 47,8% se mostram a favor de sua prisão e 44,4% contra, 52,2% dizem que ela foi justa, ao passo que 42,3% acreditam que foi injusta. Em análise feita à reportagem do El País Brasil, o cientista político Andrei Roman, fundador da Atlas, coloca que os dados sugerem que uma parcela chave da população considera que Lula já pagou o suficiente pelos erros que consideram tê-lo levado a sua condenação.

Sobre a decisão do STF que proibiu as prisões em segunda instância e beneficiou Lula depois de 580 dias de cárcere, a maioria dos entrevistados – 56,5% – se colocou contra; 29,4% a favor e 14,1% não souberam responder.

Em uma projeção de futuras eleições presidenciais, com o ex-presidente disputando o pleito, 53,5% disseram não votar no petista. Já 34% declararam votar com certeza e 9,3% disseram que poderiam votar. O ex-presidente, no entanto, continua inelegível pela Lei da Ficha Limpa (Lei nº135/2010), depois de condenado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no caso do tríplex do Guarujá. A lei determina que não pode ser candidato aqueles que são condenados por órgão colegiado (segunda instância), como é o caso do ex-presidente. O petista foi condenado pelo TRF-4 e o STJ confirmou a condenação, mas diminuiu a pena de 12 anos e 1 mês para 8 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão.

A pesquisa também simulou possíveis disputas em segundo turno com candidatos apoiados por Lula. Em um cenário com o atual presidente Jair Bolsonaro, 45,6% disseram votar no ex-capitão; 41,3% afirmam voto no candidato apoiado pelo petista; e 13,1% disseram votar em branco/nulo ou não souberam responder.

Em uma disputa simulada com o atual ministro da Justiça, Sérgio Moro, 47,6% afirmam voto no ex-juiz da Lava Jato; 40,2% iriam no candidato apoiado por Lula; 12,2% declararam voto branco, nulo ou não souberam responder.

Avaliação negativa do governo Bolsonaro sobe

A pesquisa também mediu a satisfação dos entrevistados com a gestão do presidente Jair Bolsonaro. Os números ficaram estáveis se comparados com os resultados aferidos pela última pesquisa. O índice de eleitores que acha a gestão ruim ou péssima subiu de 39,8% para 42,1%.

Os líderes do atual governo também foram avaliados. A imagem positiva de Sérgio Moro caiu 3,3 pontos percentuais, de 51,7% para 48,4%. Já a imagem negativa teve acréscimo de 4,4 pontos, passando de 41,2% para 45,6%.

Jair Bolsonaro manteve a imagem negativa à frente, mas com pouca variação desde a última pesquisa, de 50,9% para 51,6%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. A imagem negativa do ministro da Economia, Paulo Guedes, teve acréscimo de três pontos percentuais, passando de 43,9% para 47%.

A pesquisa também avaliou a percepção dos entrevistados sobre o atual governador de São Paulo, João Doria, que desponta com o maior índice de imagem negativa, 62%. Doria mantem a percepção negativa em ascensão, passando de 58,3% na última pesquisa para 62% na atual. Atrás dele aparece o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia, com 61,5% de imagem negativa – ainda assim, houve registro de queda de 4,5 pontos percentuais em relação à última aferição.

Fernando Haddad aparece com índice de imagem negativa de 55,6%, com queda de 2,8 pontos em relação à ultima pesquisa, e Ciro Gomes com 50,3%, e uma queda mais expressiva na imagem negativa desde a última aferição, 5,8 pontos percentuais.

Ditadura e corrupção

A Atlas também mediu a opinião do eleitorado em outros assuntos. Por exemplo, 74,7% se dizem contrários a uma ditadura, enquanto que 14% são favoráveis e 11,3% não souberam opinar.

Além disso, 52,1% acreditam que a corrupção está aumentando. Nesta mesma linha, 56,6% sentem que a criminalidade também está subindo, apesar de os dados de 2018 e deste ano indicarem o contrário.

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