Justiça
Lewandowski cita razões pessoais e familiares para deixar o governo; leia a carta enviada a Lula
O ministro da Justiça também mencionou limitações políticas e orçamentárias à frente da pasta
O ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, formalizou nesta quinta-feira 8 seu pedido de demissão ao presidente Lula (PT). Em carta ao petista, o ministro afirma deixar o cargo por “razões de caráter pessoal e familiar” e diz que sua saída se efetivará na sexta-feira 9.
O documento confirma a decisão que já havia sido comunicada informalmente ao presidente no fim de 2025 e que se tornou pública momentos depois do ato sobre os três anos do 8 de Janeiro no Palácio do Planalto.
Na carta, Lewandowski afirma ter cumprido suas atribuições “com zelo e dignidade”, destacando que ele e sua equipe trabalharam sob limitações políticas e orçamentárias. O ministro também agradece a Lula pelo “estímulo e apoio” recebidos durante quase dois anos no comando do ministério.
A saída de Lewandowski ocorre em meio às discussões sobre o futuro da estrutura ministerial. A possibilidade de desmembrar o Ministério da Justiça e criar uma pasta exclusiva para a Segurança Pública ganhou força nas últimas semanas, especialmente diante da possível aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso.
A transição, agora oficializada, intensifica as articulações em torno dos possíveis sucessores. Entre os mais cotados estão o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues; o ministro da Controladoria-Geral da União, Vinícius Marques de Carvalho; e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG).
Leia a íntegra da carta de Lewandowski:
“Excelentíssimo Senhor Presidente da República,
- Sirvo-me do presente para, respeitosamente, apresentar o meu pedido de exoneração do cargo de Ministro de Estado da Justiça e Segurança Pública, por razões de caráter pessoal e familiar, a partir de 9 de janeiro de 2026.
- Tenho a convicção de que exerci as atribuições do cargo com zelo e dignidade, exigindo de mim e de meus colaboradores o melhor desempenho possível em prol de nossos administrados, consideradas as limitações políticas, conjunturais e orçamentárias das circunstâncias pelas quais passamos.
- Ressalto que tive o privilégio de continuar servindo ao País – depois de aposentar-me como Ministro do Supremo Tribunal Federal – sob a inspiradora liderança de Vossa Excelência, sempre comprometida com o progresso e o bem-estar de todos os brasileiros.
- Agradecendo o permanente estímulo e apoio com que fui honrado ao longo desses quase dois anos à frente da Pasta, aproveito o ensejo para reiterar minha manifestação de elevado apreço e distinta consideração.”
Carta aos servidores
Lewandowski também enviou uma carta aos servidores do Ministério da Justiça, na qual fez um balanço e descreveu os principais eixos de atuação de sua gestão.
O ministro elencou políticas implementadas ou ampliadas sob sua gestão, como a adoção de câmeras corporais por forças policiais em 11 estados, investimentos em instrumentos de menor potencial ofensivo, expansão do programa Escuta SUSP para apoio psicológico de profissionais de segurança, além do avanço no controle de armas e munições, com apreensões, novos sistemas de rastreabilidade e reorganização da fiscalização de CACs.
Ao final da carta, Lewandowski agradeceu aos servidores.
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