Kim Kataguiri e Eduardo Bolsonaro batem boca nas redes sobre fake news

Após Congresso Nacional derrubar veto presidencial contra punição a fake news, os deputados duelaram no ringue virtual

Foto: Alex Ferreira/Agência Câmara

Foto: Alex Ferreira/Agência Câmara

Política

Os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e Kim Kataguiri (DEM-SP) trocaram farpas no Twitter após o Congresso Nacional derrubar o veto do presidente Jair Bolsonaro (PSL) à criminalização da disseminação de notícias falsas contra candidatos em eleições.

Na quarta-feira 28, os parlamentares votaram contra a exclusão do dispositivo da Lei 13.834, de 2019, que tipifica a conduta e estabelece como crime no Código Eleitoral a instauração de investigação, processo ou inquérito contra candidato que seja inocente. A pena é de dois a oito anos de prisão e multa.

Nesta quinta-feira 29, Eduardo Bolsonaro atacou Kim Kataguiri em sua rede social.

“Derrubado o veto da lei que pune com 2 a 8 anos de prisão quem divulgar fake news. Parabéns dep. Kim Kataguiri (DEM-SP) por ter viabilizado esse instrumento que vai calar exatamente aqueles que não divulgam fake news. A esquerda comemorou no plenário, será por quê?”, escreveu.

Em seguida, complementou:

“A pena para quem divulgar fake news é o dobro da pena para quem comete um homicídio culposo. Além disso, o que é fake news? Sabemos que nossos inimigos não têm caráter e mesmo falando a verdade eles nos processarão dizendo que estamos divulgando fake news.”

Ele também compartilhou uma publicação da ex-presidenciável Manuela D’Ávila (PCdoB-RS) que comemorava a derrubada do veto.

“Se a esquerda está comemorando, já sabe né… Mais uma vez ‘agradecemos aos esforços do dep. Kim Kataguiri (DEM-SP) por ter destacado o veto do PR [presidente da República] Bolsonaro e propiciado essa vitória que a esquerda ora celebra”, postou.

Em reação às reclamações, Kataguiri compartilhou a publicação de Eduardo Bolsonaro e devolveu os ataques.

“Comemorou porque qualquer veto derrubado ela comemora. E você reclama porque não leu o projeto, aliás, nem estava no plenário durante a discussão, como nunca está. Se era contra, por que não participou do debate? Por que não foi virar votos a favor do veto? Férias pré-embaixada?”, ironizou o parlamentar.

Na sequência, disparou mais críticas ao filho do presidente da República.

“Deputados fantasmas, como Eduardo Bolsonaro, que colocam a digital no plenário e vão embora, olham para o painel, seguem a liderança do partido e só sabem o que votaram depois de votar. Prática de deputado mimado e irresponsável. Papai só vetou parte do projeto, mantendo os 2 a 8”, disse.

Escreveu em novo post: “Por que não xingou seu pais quando ele deixou passar o caput do projeto, que trata exatamente de denunciação caluniosa com fim eleitoral e pena de 2 a 8 anos? Por que não disse pra ele que era um absurdo comparado a homicídio culposo? E a história de ser rigoroso com bandido, cadê?”

Numa publicação consecutiva, Kataguiri chamou Eduardo de “covarde”: “Onde estava @BolsonaroSP na hora de chamar o gov [governo] pra votação nom [nominal] do abuso de aut [autoridade]? Ou no veto do PR [presidente da República] contra projeto que limitava poderes do STF? Ou ontem, quando precisávamos do PSL para manter decreto presidencial? Na previdência? Lava Toga? Nadinha. Fritando hambúrguer. Covarde.”

Por fim, Kataguiri afirmou que Eduardo Bolsonaro não leu o projeto. “Desafio @BolsonaroSP para um debate sobre a lei que ele critica, mas que o próprio pai sancionou parcialmente com exatamente a mesma pena que eu defendo. Sei que não vai aceitar porque não leu o projeto, como não lê nem debate nada do que é relevante pautado em plenário. Vergonha.”

 

 

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Repórter do site de CartaCapital

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