Política

Investigação aponta políticos, policiais, sindicalistas e ruralistas como líderes de atos golpistas

Os relatórios foram produzidos pelas polícias Militar, Civil, Federal e pelo Ministério Público nos estados

Manifestantes bolsonaristas protestam ilegalmente contra o resultado das urnas. Foto: Anderson Coelho / AFP
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Relatórios enviados pelas Polícias Militar, Civil e Federal e pelo Ministério Público nos estados ao Supremo Tribunal Federal apontam supostas lideranças e financiadores dos protestos bolsonaristas que fecharam rodovias após a vitória de Lula (PT). Os documentos foram obtidos pelo Estadão. 

Entre os envolvidos estão políticos, policiais, ex-policiais, servidores públicos, sindicalistas, fazendeiros, empresários do agronegócio e donos de estandes de tiro. 

O documento enviado ao ministro Alexandre de Moraes identifica donos de veículos usados para bloquear as estradas e os responsáveis por alugar banheiros químicos e carros de som para utilização pelos manifestantes. 

Os atos antidemocráticos que tiveram início ainda na noite do segundo turno foram engrossados no feriado da Proclamação da República na terça-feira 15. Militantes se concentraram nas portas de comandos militares e pediram intervenção militar. 

O relatório mostra os organizadores dos protestos golpistas no Acre, Ceará, Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Quem são

O nome dos fazendeiros Jorge José de Moura e Henrique Neto foram identificados como financiadores dos protestos no Acre.  No Ceará, os líderes são o empresário Eládio Pinheiro Canto, o policial penal Abrahao Vinicius Batista Possidonio, o sargento do PM Anderson Alves Pontes Garcias e as empresas Lucky Aviamentos e Viva Agrícola.

No Espírito Santo, a Polícia Federal identificou comerciantes locais, caminhoneiros e uma ex-policial militar como possíveis organizadores dos bloqueios, mas informou que ainda não encontrou uma “coordenação centralizada”.

Entre os militantes que fecharam as estradas no estado estava Wanderson de Paula, candidato a vereador pelo partido Cidadania em 2020, e a professora da rede municipal e candidata a deputada estadual na última eleição Ticiani Rossi (PL). 

O caminhoneiro Thiago Queiroz Rodriguez, o candidato a governador em 2020 Cláudio Paiva (PRTB) e o instrutor de tiro Flávio Silva Polonini também seriam lideranças.

Em Goiás, os empresários Tales Cardoso Machado, dono de uma panificadora, e Pedro Sanches Roja Neto; o ex-vereador de São Miguel do Araguaia Leonardo Rodrigues de Jesus Soares; o corretor e candidato derrotado a prefeito da cidade em 2020 Sandro Lopes (PRTB); e o ruralista Hernani José Alves foram citados pela Polícia Civil do estado como lideranças dos movimentos em São Miguel do Araguaia. 

Segundo o documento, o advogado e candidato a vereador em 2020 Jamil El Hosni (PSL) e o e o presidente da Comissão Provisória Municipal do Partido Liberal (PL), Rafael Luiz Ottoni Peixoto são responsáveis por mobilizar os atos em Goianésia. 

No Maranhão, o investigador de polícia Marcelo Thadeu Penha Cardoso, lotado na Secretaria de Segurança Pública do Maranhão, candidato a deputado estadual pelo Podemos, e o também candidato a deputado estadual em 2022 Claudio Rogerio Silva Raposo (PTB), líder do movimento Patriotas do Asfalto SLZ, foram identificados pelo relatório como responsáveis pelas manifestação em São Luís. 

A Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul apontou como lideranças dos militantes golpistas do estado a médica Sirlei Faustino Ratier, a servidora da Câmara Municipal de Campo Grande Juliana Caloso Pontes, o comerciante Julio Augusto Gomes Nunes, o agricultor Germano Francisco Bellan, o ex-prefeito de Costa Rica Waldeli dos Santos Rosa e os pecuaristas Rene Miranda Alves e Renato Nascimento Oliveira, conhecido como Renato Merem.

Em Minas Gerais, um dos líderes seria Cristiano Rodrigues dos Reis, do Movimento Direita BH, e o comerciante Esdras Jonatas dos Santos. 

No Paraná, o relatório citou o empresário Valmor Geronimo Ferro foi apontado pela Polícia Militar do Paraná como uma das lideranças dos protestos em Curitiba. Ele teria levado mantimentos para os manifestantes. 

Ainda conforme o documento, os empresários José Antonio Rosolen e Robson Leandro Calistro teriam “ascendência sobre as decisões” dos militantes de Cianorte. Uma mulher de nome Claudia Varella Costa Pernomian também foi citada pelo relatório. 

Na região do Foz do Iguaçu, o candidato a deputado estadual Ranieri Alberton Marchioro (PTB) é listado como liderança dos movimentos. Um homem de nome João Bosco de Oliveira Melo também foi citado. 

No Rio Grande do Sul, a Polícia Civil identificou como organizadores dos eventos o policial militar aposentado Vilmar Luis Vicinieski, o coordenador do movimento Direita RS Ezequiel Vargas, o deputado federal eleito Tenente Coronel Zucco (Republicanos) e a agente penitenciária Mariana Lescano. 

Entre os agitadores do estado foram citados o policial civil e vereador na cidade de Dom Pedrito, Patrício Jardim Antunes (PP), conhecido como Inspetor Patrício, o comissário de Polícia Thiago Teixeira Raldi e o delegado Heliomar Athaydes Franco.

Já em Santa Catarina, Wuillian Lanza, Odair Breier, Valnir Camilo Scharnoski, Rodrigo Cadoré, Itamar Schons e Vanirto José Conrad foram listados pela Polícia Civil como os organizadores dos movimentos. 

Francisco Dalmora Burgardt, conhecido como Chicão Caminhoneiro, o empresário Luis Cesar Fuck também foram citados pelo documento. 

Outros dois homens, André Júnior Bello, Oelivir José Luzzi e Everton Marques, foram identificados como organizadores do bloqueio na rodovia SC-355 no perímetro urbano de Fraiburgo.

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