Mundo
Integrantes do MST picham embaixada dos EUA em Brasília: ‘Lucram com a morte’
A manifestação ocorreu em meio ao agravamento das relações entre Brasília e Washington. O grupo diz protestar contra a indústria da guerra
O muro da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília foi pichado na manhã desta quinta-feira 13 por integrantes ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra e ao Levante Popular da Juventude. Os grupos também estenderam faixas e queimaram uma bandeira dos Estados Unidos durante a manifestação.
Uma das mensagens escritas no muro dizia: “Os EUA fazem guerra e lucram com a morte”. A frase foi reproduzida em português e em inglês – com um erro de ortografia. Outra faixa encontrada no local afirmava: “Indústria da guerra dos EUA = mortes, fome e destruição da natureza”.
O MST assumiu a autoria da ação nas redes sociais e afirmou que o protesto fazia parte de uma mobilização nacional organizada por movimentos sociais. Segundo as organizações, os atos tinham como objetivo criticar a política externa dos Estados Unidos e a indústria bélica.
A manifestação ocorre em um momento de forte desgaste na relação entre Brasília e Washington. Nos últimos meses, o governo de Donald Trump impôs novas tarifas sobre produtos brasileiros, adotou medidas contra autoridades e representantes diplomáticos do País e fez acusações ao processo eleitoral brasileiro.
Em julho, os Estados Unidos anunciaram um tarifaço de 25% sobre parte das exportações brasileiras. Dias depois, veio mais um tarifaço, de 12,5%, relacionado a uma investigação sobre trabalho forçado.
Neste mês, Washington anunciou ainda a revogação do visto da embaixadora brasileira nos Estados Unidos, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A decisão ocorreu em meio ao impasse envolvendo a indicação de Daniel Perez para a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília.
Faixa do MST traz a mensagem: “Indústria da guerra dos EUA = mortes, fome e destruição da natureza”. Foto: Reprodução redes sociais
O que disse o MST
Em publicação da Juventude Sem Terra, o MST afirmou que a manifestação mirou “a indústria da guerra e a política imperialista dos Estados Unidos”. “Enquanto bilhões são destinados à indústria bélica, povos como os da Palestina, Cuba, Venezuela e Irã continuam sofrendo com a violência e as sanções do imperialismo”, disse.
Em outra publicação, o MST e o Levante Popular da Juventude classificaram a ação como uma “intervenção contra a indústria da guerra e da política imperialista dos EUA” e defenderam um mundo “sem guerras, sem exploração e sem imperialismo”.
A ação, segundo os grupos, integrou o movimento “Sejamos Todos como Fidel”, organizado nesta quinta-feira por diferentes coletivos e relacionado às homenagens aos 100 anos de Fidel Castro.
Militantes do MST também estilizaram bandeira dos EUA com bombas e caveiras. Foto: Reprodução redes sociais
O que disse a Embaixada dos EUA
A Embaixada dos Estados Unidos classificou a ação como vandalismo e afirmou que trabalha com as autoridades locais. A representação também informou que as atividades consulares não foram interrompidas.
“A Embaixada dos Estados Unidos está ciente dos atos de vandalismo em nossas dependências. Tais atos são inaceitáveis, e estamos trabalhando com as autoridades locais. Os EUA continuam comprometidos em dialogar com o povo brasileiro e em garantir a segurança de nossos funcionários e instalações. As atividades consulares seguem normalmente”, afirmou.
A Polícia Militar do Distrito Federal foi acionada e a Polícia Civil abriu investigação. A perícia foi realizada no local, e materiais usados na manifestação foram recolhidos. Segundo a atualização mais recente, um suspeito foi preso pela PMDF e levado à 1ª Delegacia de Polícia, na Asa Sul.
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