Política

“Hoje é dia de livro”, diz Janot ao ignorar perguntas sobre Gilmar

Janot lançou o livro ‘Nada menos que tudo’ nesta segunda 7 em São Paulo, mas não atendeu jornalistas

O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot durante sessão plenária do STF em 2017. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF
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“Hoje é dia de livro”, disse o ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, ao lançar, nesta segunda-feira 7, o livro “Nada menos que tudo”, escrito com a intenção de contar bastidores da atuação de Janot ao longo de sua passagem pelos governos de Dilma Rousseff e Michel Temer.

As breves palavras foram as únicas declaradas à imprensa, que estava em massa na Livraria da Vila, em São Paulo, para aguardar o ex-procurador.

O agitado movimento de repórteres e a modesta presença de genuínos interessados no lançamento tem uma explicação simples: o livro teve um importante fator de divulgação.

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, Rodrigo Janot afirmou que quase matou o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes por desavenças causadas após um alegado envolvimento da filha de Janot com a empreiteira OAS.

 

“Não ia ser ameaça não. Ia ser assassinato mesmo. Ia matar ele (Gilmar) e depois me suicidar”, afirmou. “Ele inventou uma história que a minha filha advogava na parte penal para uma empresa da Lava Jato. Minha filha nunca advogou na área penal… e aí eu saí do sério”, disse.

O texto de divulgação do livro descreve o ex-procurador como “temido e odiado por políticos de todos os partidos, aclamado como herói nas ruas”, destaca a efervescência midiática em torno das “listas de Janot” e diz que, “aposentado e sem pretensões políticas”, Janot busca relembrar “bastidores, intimidações e pressões que sofria continuamente”.

Janot não respondeu aos questionamentos referentes à uma inconsistência de datas de sua agenda na época que alegou querer matar Gilmar. Segundo o portal Jota, Janot estaria em um evento em Minas Gerais na data rm que diz ter ido armado ao Supremo.

Na sessão de autógrafos, o ex-procurador manteve-se discreto com os leitores e evitava tecer comentários prolongados aos olhos dos jornalistas.

Após as falas, o STF autorizou operações de busca e apreensão em endereços ligados a Janot. O alvo do quase-assassinato, Gilmar Mendes, pediu à Corte que o porte de armas do ex-procurador geral fosse suspenso, e também pediu que ele fosse impedido de visitar novamente o Supremo.

Nesta segunda-feira 7, o assunto deve continuar a repercutir pelo lado do ministro ameaçado, que será o entrevistado do programa “Roda Viva”, da TV Cultura. A sabatina começa às 22h.

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