Guilherme Boulos e a frente democrática

Discurso de Boulos sobre frente democrática nos mostra caminhos possíveis para a resistência política

Nelson ALMEIDA / AFP

Nelson ALMEIDA / AFP

CartaCapital,Opinião,Política

Na última sexta-feira, 20, Dia da Consciência Negra, Guilherme Boulos, candidato à prefeitura da cidade de São Paulo pelo PSOL,  lançou uma Frente Democrática de apoio à sua candidatura composta por PT, PDT, PCdoB, Rede Sustentabilidade, PCB, Unidade Popular, e que contou com apoio simbólico do PSB.

O ato constitui um marco histórico para as forças progressistas não apenas na cidade de São Paulo, mas no país. Por esse motivo, optei por utilizar este espaço para transmitir trechos do discurso feito por Boulos na ocasião que sintetizam o desejo de mudança que vamos depositar nas urnas no dia 29. Venha fazer parte dessa virada com a gente!

Copio abaixo alguns trechos:

“Eu queria fazer um agradecimento aos partidos e às lideranças que estão se somando a essa nossa caminhada, nesse momento, para a construção de uma Frente Democrática, uma frente por direitos sociais e justiça social em São Paulo.

A frente pela democracia tem que levar a palavra democracia às últimas consequências. Não existe democracia quando há um abismo social e quando há um racismo estrutural.

Eu acho que todos nós estamos impactados pelas cenas brutais de violência e de extermínio, não existe outra palavra. Eu usei essa palavra no debate e incomodou meu adversário, mas eu reitero ela aqui. Extermínio foi o que aconteceu ontem, no Rio Grande do Sul, com o João Alberto Freitas, que foi brutalmente assassinado em um mercado da rede Carrefour em Porto Alegre.

Por isso, hoje, no Dia da Consciência Negra, eu quero propor que esse nosso ato, de construção de uma Frente Democrática na cidade de São Paulo, seja em homenagem e em honra de João Alberto.

Esse momento é um momento muito importante. Me arrisco a dizer que esse é o momento mais importante da nossa campanha até aqui. Nós começamos a nossa campanha levantando as nossas bandeiras, os nossos valores, o nosso projeto. Era um projeto levantado pelo PSOL, pelo PCB, pela UP, pela nossa militância aguerrida e por um conjunto de movimentos sociais. Mas, ao longo dessa campanha, um projeto que estava sustentado por milhares passou a ser sustentado por milhões.

Agora, nesse segundo turno, é um novo jogo. Um novo jogo onde nosso time recebeu um reforço sem tamanho. É outro time. Não é mais a minha campanha com a Luiza Erundina, a campanha do PSOL com o PCB e a UP. Esse ato de hoje é o marco de que a gente inicia uma outra campanha: a campanha da Frente Democrática e por justiça social na cidade de São Paulo. É isso que está se formando aqui hoje.

Nós não concordamos em tudo, tanto é que muitos de nós estávamos em candidaturas diferentes no primeiro turno. Mas unidade não se faz só com quem concorda em tudo. Unidade é justamente ter a capacidade de a gente construir a partir das nossas diferenças. De a gente entender que as nossas diferenças são muito menores do que as nossas convergências neste momento de derrotar um  projeto que une atraso e elitismo.

 

A experiência que nós queremos trazer para governar São Paulo não é a experiência deles, que estão tendo a oportunidade agora e fracassaram. A experiência que nós queremos trazer para governar São Paulo alia sensibilidade social com a experiência de governos que olharam para o povo e com uma equipe extraordinária que conhece a cidade, conhece os números, conhece o orçamento e conhece as soluções. Porque é muita arrogância achar que alguém governa uma cidade como São Paulo sozinho. Eu não tenho essa pretensão.

Eu quero governar com muita gente. Quero governar com especialistas, com gente da academia, que constrói em cada área, quero governar com outras forças políticas que estão aqui e trazer essa sensibilidade delas para o nosso governo. E quero governar, sobretudo, com a participação do povo dessa cidade. Quero governar chamando as pessoas para decidir. Porque democracia, para nós, não é só apertar um botão em uma urna a cada quatro anos. Democracia é ajudar a decidir no dia-a-dia os rumos da política.

Eu quero, como prefeito, a partir de 1o de janeiro do ano que vem, não só ficar fechado no meu gabinete aqui no Centro. Quero ir para os bairros, governar a partir dos bairros. Quem conhece os maiores problemas e as grandes prioridades de Sapopemba é quem mora lá, e essas pessoas vão ser chamadas para governar junto com a gente. Quem conhece as prioridades do Grajaú, da Brasilândia, de qualquer bairro da cidade é quem mora lá.

A nossa Frente Democrática tem esse nome porque é isso que está em jogo. Democracia para nós não é simplesmente combater o autoritarismo. Esse é um passo importante da democracia nos tempos em que nós estamos vivendo, mas democracia para nós é mais. Não tem democracia política sem democracia social, sem democracia econômica. Nós queremos, e nós vamos construir uma cidade onde ninguém vire comida do lixo para comer. Onde ninguém precise morar na rua porque não tem alternativa.

Nós queremos, e nós vamos construir, uma cidade onde ninguém seja morto ou morta porque é negro, porque é negra. Uma cidade onde todas as formas de amor sejam respeitadas e sejam valorizadas. Uma cidade sem intolerância, sem racismo, sem machismo, sem LGBTfobia, uma cidade que enfrente a desigualdade de verdade.  O que nós queremos, e o que nós vamos fazer, a partir do ano que vem, é devolver a Prefeitura de São Paulo para o povo.

Nós temos dez dias. Eu estou muito confiante. Em cinco dias, sem ter começado o programa de televisão, o Bruno caiu nove pontos e nós subimos cinco. Nós temos razões para crer que essa onda vai crescer. A derrota do Bolsonaro, a derrota do Doria, vai começar aqui, dia 29 de novembro.”

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Advogada especializada em casos de violência contra a mulher, ex-assessora parlamentar na Camara Municipal, deputada estadual e ex-vereadora de São Paulo.

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Editor no site de CartaCapital. Advogado, fundou o site Justificando, onde foi diretor de redação por quatro anos. 

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