Política

GSI enviou a Mauro Cid informações estratégicas sobre viagens de Lula, revela site

Mesmo com petista no Planalto, órgão mandou ao tenente-coronel detalhes da segurança presidencial; envios partiram de integrantes que integram o órgão desde o governo Bolsonaro

O tenente-coronel Mauro Cesar Barbosa Cid. Foto: Bruno Spada / Câmara dos Deputados
Apoie Siga-nos no

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) enviou para o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), informações sobre a segurança de viagens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). As informações foram repassadas, inclusive, no primeiro semestre deste ano, durante a gestão do petista.

As informações constam nos e-mails de Cid a outros ajudantes de ordens de Bolsonaro, obtidos pela CPMI do 8 de Janeiro, e foram reveladas pelo portal Metrópoles nesta quarta-feira 9.

De acordo com a publicação, Mauro Cid recebeu, entre 6 e 13 de março deste ano, documentos intitulados “urgentíssimos” que davam detalhes da segurança presidencial para quatro viagens e três eventos que contaram com a presença de Lula. Os locais de destino foram Xangai, na China; Brasília (DF); Foz do Iguaçu (PR) e Boa Vista (RR).

Dessa forma, o período no qual os e-mails foram enviados corresponde àquele em que Cid e Bolsonaro estavam nos Estados Unidos, quando o último passou uma temporada no país norte-americano pouco antes do fim do seu mandato.

Também segundo a publicação, os e-mails foram enviados pelos seguintes militares que integram o GSI:

Márcio Alex da Silva, do Exército;

Dione Jefferson Freire, da Marinha;

Rogério Dias Souza, da Marinha.

Os três citados trabalhavam no GSI no governo Bolsonaro. Atualmente, o trio está afastado das funções.

Os documentos enviados a Mauro Cid forneciam informações como data e horário de reuniões de preparação, sobre o processo de reconhecimento dos locais, bem como o nome e o celular do coordenador da segurança presidencial. Sobre a viagem de Lula à China, um dos documentos citou, por exemplo, os horários de decolagem dos aviões da Força Aérea Brasileira (FAB).

Com Cid preso, assessor recebeu e-mail do GSI até o mês passado

A prisão de Mauro Cid, ocorrida no início de março, não impediu que pessoas próximas a ele recebessem e-mails confidenciais do GSI com informações estratégicas acerca da segurança de Lula. Notadamente, o tenente Osmar Crivelatti, personagem importante do entorno de Cid e, atualmente, assessor de Bolsonaro.

Crivelatti permaneceu, segundo a publicação, na lista de transmissão usada pelo GSI para compartilhar informações a respeito de eventos oficiais que contaram com a participação do presidente. 

As mensagens às quais a CPMI do 8 de Janeiro teve acesso estavam na lixeira do e-mail de Crivelatti. Uma delas fornece informações sobre a ida de Lula a Washington, nos Estados Unidos, em fevereiro deste ano, e apresentavam os celulares de todos integrantes da comitiva presidencial aos EUA.

Os e-mails enviados a Crivelatti partiram dos três remetentes que mandaram documentos a Mauro Cid, além dos seguintes militares integrantes do GSI: Luciano Santos da Silva, Ricardo Pagy Braga, Jorge Luiz de Magalhães e Alexandre Pires Moraes.

Em maio, o GSI passou a ser comandado pelo general da reserva Marcos Antonio Amaro dos Santos. A chegada dele à pasta aconteceu depois da saída do general Gonçalves Dias, em caso que envolveu a divulgação de um vídeo em que Dias aparece no Palácio do Planalto durante as ações golpistas do 8 de Janeiro. 

Até o momento, o GSI não se pronunciou oficialmente sobre os e-mails enviados a Mauro Cid e Osmar Crivelatti.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo