Glenn Greenwald

Greenwald: ‘As pessoas se esqueceram da injustiça do impeachment contra Dilma’

Para o jornalista, o episódio ‘iniciou todos os problemas que a democracia brasileira está enfrentando hoje’

Foto: Reprodução/YouTube/CartaCapital
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O jornalista Glenn Greenwald, que tem em CartaCapital sua nova casa no Brasil, participou de uma transmissão ao vivo no canal?feature=oembed" frameborder="0" allowfullscreen> da revista no YouTube nesta terça-feira 30. Ele se aprofundou na análise iniciada em sua primeira coluna, publicada na edição 1.150.

Ele relembrou sua primeira manifestação sobre a política brasileira, quando Sergio Moro divulgou ilegalmente conversas entre a então presidenta Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula. “E achei que era fácil comentar, porque foi tão claro, como jornalista e advogado, que era um abuso grave do Poder Judiciário por Moro”.

Greenwald recorda ter sido duramente atacado por jornalistas brasileiros à época. “Como jornalistas poderiam defender um abuso do poder tão grave como esse?”, questionou.

“Comecei a escrever reportagens e artigos em inglês, depois traduzidos para o português, e quase todo artigo viralizou, porque muitas pessoas queriam jornalismo mostrando a fraude que o impeachment era. A grande mídia era completamente unida, com exceção de CartaCapital, jornalistas independentes e blogueiros”, reforçou.

“Acho que as pessoas se esqueceram da importância e da injustiça do impeachment de Dilma, que, para mim, iniciou todos os problemas que a democracia brasileira está enfrentando hoje”.

O jornalista aponta o dia da votação do impeachment de Dilma na Câmara dos Deputados, em abril de 2016, como “o mais escandaloso” que viveu em sua carreira. “Liderados pelo Eduardo Cunha, um depois do outro, falando muito lixo. As pessoas mais corruptas do mundo fingindo ter raiva de pedaladas que, na verdade, Dilma não fez. O próprio Jair Bolsonaro foi um dos mais feios, elogiando a ditadura e a tortura que Dilma sofreu. Para mim, foi a primeira manifestação do que é o rosto de verdade do bolsonarismo”.

“As pessoas também estão se esquecendo de que no centro de tudo isso eram a Lava Jato e o Sergio Moro”, destacou.

Menos de dois anos antes, no segundo semestre de 2014, “os inimigos do PT acreditaram que iriam ganhar a eleição”.

“Acharam que, finalmente, depois de 12 anos perdendo para Lula e Dilma, eles tinham um candidato perfeito, Aécio Neves, mas perderam de novo. E nunca aceitaram a legitimidade da decisão do povo brasileiro”.

O governo Bolsonaro e as ameaças à democracia

Segundo Glenn Greenwald, “quase tudo o que aconteceu com o governo Bolsonaro nos primeiros dois anos era motivado pelo objetivo de evitar a prisão do Flávio Bolsonaro. Agora, ele sabe que a crise da Covid está causando problemas graves para ele. Obviamente a aprovação está caindo, mas mais importante ainda é que setores poderosos que estavam pelo menos aceitando o Bolsonaro estão desesperados. Lá nos Estados Unidos, falam do Brasil como a principal ameaça no mundo. A Europa também fala assim do Brasil. E os empresários, os militares… Todo mundo está no fim da paciência com Bolsonaro”.

Diante do quadro de incertezas sobre o futuro do Brasil pós-pandemia, ressalta o jornalista, “o desafio da esquerda é pensar como pode se comunicar e convencer o povo de que a política pode melhorar a vida dele”.

“Até agora, em todas as democracias que conheço, o único político de esquerda que mostrou essa capacidade dar paixão ao povo é o ex-presidente Lula”.

Sobre as mudanças promovidas por Bolsonaro em ministérios e no comando das Forças Armadas, Greenwald afirmou ser difícil compreender todos os movimentos.

“O que me preocupa sempre na democracia brasileira é o que os militares estão pensando, querendo, planejando. Em uma democracia saudável, o militar não tem esse papel político, não tem importância o que os militares estão pensando. Mas, aqui, por causa da história recente, o militar tem um papel muito mais importante do que eu espero que eles tenham”.

Ele disse acreditar na integridade da maioria dos militares brasileiros. “Mas, por outro lado, sempre tinha uma facção dentro do meio militar, por exemplo Jair Bolsonaro e seus apoiadores, que nunca apoiaram a democracia. A questão é: qual facção é a dominante no meio militar brasileiro?”.

Assista à transmissão ao vivo na íntegra:

Leonardo Miazzo

Leonardo Miazzo
Editor do site de CartaCapital. Twitter: @leomiazzo

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