Justiça

Governo Lula quer ampliar pena para quem recebe ou vende celular roubado

O texto pretende enquadrar como receptação qualificada serviços ilegais, como os chamados ‘gatonet’

Governo Lula quer ampliar pena para quem recebe ou vende celular roubado
Governo Lula quer ampliar pena para quem recebe ou vende celular roubado
O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o presidente Lula (PT). Foto: Sergio Lima/AFP
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O ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, enviou ao presidente Lula (PT) nesta sexta-feira 28 uma proposta que prevê aumentar em 50% a pena imposta a receptadores de bens como celulares, dispositivos eletrônicos, cabos, fios e outros itens roubados.

O objetivo do texto, de acordo com a pasta, é intensificar o combate à prática de delitos realizados sob encomenda de organizações criminosas que exploram o mercado paralelo de produtos.

A pena mínima pode passar de um ano de detenção para um ano e quatro meses ou um ano e seis meses. Já a máxima saltaria de quatro anos para seis anos. O projeto ainda tipifica o crime de furto qualificado, quando é cometido por encomenda para fins comerciais.

Também poderá responder pelo crime de receptação quem adquirir, receber, transportar, conduzir, ocultar, tiver em depósito, desmontar, montar, remontar, vender, expor à venda, ofertar, prestar ou de qualquer forma utilizar, em proveito próprio ou alheio, esses produtos.

“Essas práticas, assim como os estelionatos e golpes virtuais, estão não apenas financiando, mas também ampliando o poder das organizações criminosas do Brasil, gerando um prejuízo bilionário para o País”, pontuou o ministro. A proposta também abrange a receptação entre familiares. Atualmente, quem compra um item roubado de um parente pode não ser punido.

Além disso, o texto pretende enquadrar como receptação qualificada serviços ilegais, como os chamados “gatonet” e os aparelhos TV box piratas. A legislação brasileira não permite enquadrar essa conduta no crime de furto de energia elétrica, justificando a necessidade de tipificação específica, segundo o ministério.

Caberá a Lula sugerir ou não mudanças no projeto e, na sequência, enviá-lo ao Congresso Nacional, onde também deve passar por mudanças. Recentemente, o presidente disse que não permitirá “a república de ladrão de celular” no País, durante a cerimônia de inauguração do Hospital Universitário do Ceará.

“É por isso que estamos apresentando uma PEC da Segurança, para que a gente possa dizer que o Estado é mais forte que os bandidos. Lugar de bandido não é na rua assaltando, assustando e matando pessoas. É esse país que a gente vai construir”, afirmou.

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