Política

Governo insistiu na compra da Covaxin mesmo após laboratório avisar que não cumpriria prazo

Após o descumprimento do contrato, o imunizante não conseguiu ser aprovado pela Anvisa e foi cancelado por solicitação da CGU

Governo insistiu na compra da Covaxin mesmo após laboratório avisar que não cumpriria prazo
Governo insistiu na compra da Covaxin mesmo após laboratório avisar que não cumpriria prazo
Foto: Indranil MUKHERJEE/AFP
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E-mails apreendidos pela CPI da Covid na sede da Precisa Medicamentos e obtidos pelo jornal O Globo mostram que o laboratório indiano Bharat Biotech, produtor do imunizante da Covaxin, alertou a empresa brasileira de que não teria como cumprir o prazo de entrega estabelecido por contrato com o Ministério da Saúde. 

Mesmo com o aviso da farmacêutica, o governo federal insistiu na assinatura do contrato. 

Após o descumprimento do contrato, o imunizante não conseguiu ser aprovado pela Anvisa e foi cancelado por solicitação da Controladoria-Geral da União. 

O órgão encontrou indícios de falsificação em documentos apresentados pela Precisa, o que a empresa atribui aos parceiros indianos.

Os e-mails apreendidos pela CPI mostram as negociações entre a diretora da Precisa Medicamentos, Emanuela Madrades, e a farmacêutica. 

Em 4 de fevereiro, a diretora mandou um e-mail aos indianos prevendo a entrega de 20 milhões de doses em 90 dias após a assinatura do contrato. 

No dia seguinte, veio a resposta: “Estamos abertos a aumentar a quantia de 12 para 20 milhões de doses. Mas o cronograma de entrega que foi pedido não é viável para nós”, disse Apoorv Kumar, funcionário da Bharat. 

Depois, ele pede para atrasar a entrega em “alguns meses”. Em mensagens seguintes, a Bharat afirma que conseguiria entregar no mínimo uma média de 2,5 milhões de doses por mês. Medrados responde estar “decepcionada”. 

Em 25 de fevereiro, o contrato entre a Precisa e o Ministério da Saúde é assinado, mesmo sabendo não ser possível cumprir com o prazo de entrega. 

Mesmo após o compromisso, a Bharat seguiu frisando que não conseguiria cumprir o cronograma. 

“A proposta indica um cronograma de entrega que não está alinhado com o nosso compromisso com o governo do Brasil. Se puder esclarecer, nós agradecemos”, escreveu Apoorv Kumar em 26 de fevereiro.

Os e-mails também apontam que a compra foi fechada mesmo sem um contrato formal com a empresa e o governo federal. 

Nos materiais apreendidos pela PF, foi encontrado apenas um rascunho de um contrato de distribuição da vacina. A comissão prevista inicialmente para a Precisa era ficar com 2,25 de dólares dos 15 que custavam cada dose do imunizante. Ou seja, a intermediária receberia 240 milhões de reais do 1,6 bilhão que o Ministério da Saúde se comprometeu a pagar.

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