Governo Bolsonaro incluiu todos os militares da ativa em Brasília como prioridade na vacinação

MPF investiga irregularidade, enquanto o Ministério da Saúde menciona 'serviço essencial para a ordem'

 Foto: Marcos Corrêa / PR

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Política

Uma apuração do Ministério Público Federal indica que o Ministério da Defesa atuou para dar prioridade à vacinação de militares da ativa das três Forças em Brasília. A medida colocou quase 30 mil militares nos primeiros lugares da fila dos imunizantes, contrariando as notas que balizam o Programa Nacional de Imunizações. A informação foi divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

 

 

Um inquérito civil público instaurado para investigar como militares e agentes de forças de segurança foram privilegiados na imunização reuniu elementos que apontam, entre outras coisas, que lotes de vacinas foram destinados com exclusividade às Forças Armadas, com participação do Quartel-General do Exército.

No começo de junho, o Exército já vacinava militares de 43 anos, até mesmo de setores administrativos, enquanto a imunização de civis em Brasília imunizava a faixa de 50 a 59 anos. No dia 18 do mês passado, a faixa etária para vacinação no Exército já estava em 34 anos.

Na Aeronáutica, e-mails de convocação interna para a imunização mostram que jovens de 22 anos já eram chamados no dia 8 de julho.

A vacinação de civis segue arrastada em Brasília e moradores encontram dificuldades até para acessar o sistema de agendamento.

 

Investigações

Em ofício enviado no dia 22 de junho, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal informou ao MPF em Brasília que 29.671 integrantes das Forças Armadas deveriam ter prioridade na vacinação contra a Covid-19. Neste contingente estão contemplados todos os servidores que trabalham nas Forças Armadas, o que contraria nota técnica do PNI, que mencionava a prioridade apenas para os militares que atuam no combate à pandemia.

No dia 1 de julho, a procuradora da República Ana Carolina Roman, responsável pelas investigações, fez uma reunião virtual com servidoras técnicas do PNI e com o então diretor do Departamento de Imunização do Ministério da Saúde, Laurício Monteiro Cruz.

Questionada sobre a justificativa técnica para a inclusão da totalidade das Forças Armadas no grupo prioritário, Caroline Gava, integrante do PNI, afirmou que o setor “é visto como serviço essencial para manutenção da ordem, assim como as forças de segurança”.

Um primeiro grupo previsto no programa era composto por “forças de segurança e salvamento e Forças Armadas”. O número de oficiais na linha de frente, informado no plano inicial, é de 6.753. Em 20 de junho, já haviam sido vacinados 19.651, ou 291% do total, conforme os números repassados ao MPF.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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