Governo anuncia novos editais de cultura: “Não é censura, é curadoria”

Durante transmissão ao vivo, Jair Bolsonaro e Roberto Alvim afirmaram que novos programas de incentivo serão voltados para conservadores

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do ministro Abraham Weintraub e do secretário Roberto Alvim Foto: Reprodução/Facebook)

O presidente Jair Bolsonaro, ao lado do ministro Abraham Weintraub e do secretário Roberto Alvim Foto: Reprodução/Facebook)

Política

O presidente Jair Bolsonaro anunciou, junto ao secretário da Cultura, Roberto Alvim, iniciativas ao fomento à cultura voltadas para conservadores. O comunicado ocorreu durante transmissão ao vivo nas redes sociais, nesta quinta-feira 16.

Bolsonaro iniciou o anúncio afirmando que, antes de sua gestão, não havia “cultura de verdade” e que as produções anteriores eram voltadas para “a minoria” e não para “a maioria”. Ele rechaçou o termo “censura”.

“Nós não censuramos nada. Eu me revoltei com filmes, mandei suspender qualquer concessão, porque, afinal de contas, não é censura. O cara quer fazer um vídeo, um filme, eu tenho vários nomes de filmes na cabeça que eu não vou falar aqui em respeito a quem está do outro lado da tela. Nomes terríveis. Pode fazer, mas não com o dinheiro público. Faz com o dinheiro teu. Vende a tua casa, pede dinheiro para o teu vizinho e faz o filme que você bem entender”, disse Bolsonaro.

 

Em seguida, Alvim afirmou que a postura do governo não é de censura, mas sim, de “curadoria”.

“Mas todo edital, presidente, todo patrocínio pressupõe uma curadoria. Existe uma escolha, um recorte curatorial, que seleciona os filmes que são adequados segundo aquela comissão julgadora. Então, não é censura, é curadoria”, justificou o secretário de Cultura.

Bolsonaro, então, defendeu que haja uma revisão histórica sobre o período militar nas produções de cinema.

“Eles faziam contra o lado bom do cinema. Quando se queria falar para fazer um filme sobre um período militar, para falar a verdade, eles nunca deixaram. A gente não quer investir na questão de ideologia, tem que fazer uma cultura sadia, que você pai, mãe, tenham prazer de assistir a um filme, ir no teatro, ir no cinema, saber se seus filhos, no cinema, no shopping, não vão ser agredidos com uma coisa que não condiz com a educação brasileira”, disse.

Alvim, então, anunciou um edital para cinema com lançamento previsto para o fim de fevereiro deste ano. Segundo ele, o edital incluirá categorias como curta-metragem, animação, filmes de primeira direção, de atores iniciantes, e também, filmes sobre a independência do Brasil e sobre grandes figuras históricas brasileiras.

“Estou tentando criar um cinema sadio, ligado aos nossos valores, aos nossos princípios, e alinhado com essa ideia de conservadorismo e arte, que é, na verdade, uma arte que dignifique o ser humano e a condição humana”, justificou Alvim.

O secretário de Cultura também anunciou a criação do “Prêmio Nacional das Artes”, que, segundo ele, é “uma das maiores políticas de incentivo da história do Brasil”. O edital prevê patrocínio para óperas, peças de teatro, exposições de pintura, esculturas, literatura, música popular, música erudita, música pop e histórias em quadrinhos.

A ideia é priorizar artistas iniciantes e distribuir as verbas de patrocínio de forma igualitária nas cinco regiões brasileiras. Alvim disse que parte dessas obras de arte serão oferecidas à população com gratuidade.

 

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Repórter do site de CartaCapital

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