Justiça
Gonet quer retirar Eduardo Cunha de inquérito sobre grampo de Temer e Joesley
O caso envolve tentativas de atrapalhar as investigações contra o ‘quadrilhão do MDB’
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitou ao Supremo Tribunal Federal a retirada do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha da lista de alvos de um inquérito instaurado para apurar o contexto do grampo de uma conversa entre o então presidente Michel Temer (MDB) e o empresário Joesley Batista, em 2017.
O parecer da PGR chegou nesta quarta-feira 18 ao ministro Alexandre de Moraes, atual relator do caso.
Gonet sustenta em sua manifestação que a Justiça absolveu Temer da imputação de embaraço a investigação de organização criminosa e que Cunha obteve a extensão, em seu benefício, dos efeitos daquela ordem. Assim, o ex-deputado não compõe mais o polo passivo do procedimento.
A Procuradoria-Geral também apontou incompetência do STF no caso e recomendou o envio dos autos à 10ª Vara Federal do Distrito Federal.
O inquérito surgiu a partir de uma gravação de Temer e Joesley que sugeria a articulação de um esquema para atrapalhar as investigações contra o chamado “quadrilhão do MDB”, por meio da compra do silêncio de Cunha e Lúcio Funaro, apontado como operador do MDB.
Tornou-se célebre na política brasileira a frase “tem que manter isso aí”, proferida pelo então presidente após Joesley dizer que estava “de bem com o Eduardo”.
Paulo Gonet menciona em seu parecer também não haver razão para manter o caso no STF em função de Rodrigo Rocha Loures, outro alvo do inquérito. Para a PGR, os autos indicam que ele figurava apenas como “interlocutor” de Temer, de quem era “assessor especial”.
“Não há, nos autos, qualquer imputação contra Loures relacionada ao desempenho das funções parlamentares, as quais exerceu brevemente, entre 8.3.2017 e 18.5.20177.”
Ainda constam do rol de investigados Joesley e Ricardo Saud, da J&F; Lúcio Funaro e sua irmã, Roberta Funaro; e Rocha Loures.
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