Justiça
Gilmar critica ‘grupelho político’ e exalta a soberania em discurso para Barroso
Segundo o decano, a democracia brasileira ‘passou incólume por mais uma prova de fogo’
O ministro Gilmar Mendes elogiou o colega Luís Roberto Barroso, que conduziu nesta quinta-feira 25 sua última sessão como presidente do Supremo Tribunal Federal, e enviou uma série de recados a políticos que atacam a Corte.
Segundo o decano, Barroso conduziu o STF em meio a uma ofensiva sem precedentes que visava a desacreditar a Justiça, “vergar este Supremo aos interesses de um grupelho político e submeter a soberania nacional às conveniências ideológicas de outras nações”.
Nos últimos meses, expoentes do bolsonarismo articularam sanções do governo dos Estados Unidos ao Brasil. Na última segunda-feira 22, a Procuradoria-Geral da República denunciou ao STF o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e o blogueiro Paulo Figueiredo por tentativa de coagir autoridades brasileiras para impedir o julgamento da trama golpista.
Em um de seus muitos elogios a Barroso no pronunciamento, Gilmar disse que o ministro soube responder a essas investidas com “firmeza inabalável”, ao mesmo tempo em que demonstrou “elegância, cordialidade e urbanidade”.
Ressaltou também que a presidência de Barroso entra para a história por ter sido a primeira a viabilizar o julgamento de um ex-presidente e de militares de alta patente por tentativa de golpe de Estado.
“São poucos os juízes e tribunais que estão dispostos a arcar com o pesado ônus – no nosso caso, ainda mais pesado, dada a participação singular de forças externas – decorrente do cumprimento do dever de aplicar a lei a ex-mandatários, com grande número de apoiadores.”
Gilmar Mendes afirmou que a democracia brasileira “passou incólume por mais essa prova de fogo” e que o STF conduziu o processo sobre o núcleo crucial da “intentona golpista” com respeito ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.
“As futuras gerações saberão olhar para este período e reconhecer que este tribunal e a democracia brasileira foram duramente provados, e – repito – também em grande medida graças à sua liderança, eles resistiram”, completou o decano.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.
Leia também
STF defendeu democracia apesar de ‘custo pessoal’, diz Barroso em despedida da presidência da Corte
Por CartaCapital
Barroso se despede da presidência do STF em última sessão plenária
Por Vinícius Nunes
A ‘crise deliberativa’ no Congresso que provoca o STF a agir, segundo Dino
Por CartaCapital



